sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Giulia Soncini 1 ano.....quem riscou a pareeede Papai Noel???
Que linda a pequena Giulia conversando com o Papai Noel pelo telefone.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
UM POUCO DA HISTÓRIA DE BRAGANÇA PAULISTA-SP
A área do município corresponde a 514,8 Km², compreendendo 41,78 km² de área urbana e 472,02 km² de área rural. Faz divisa, ao Norte, com os municípios de Pinhalzinho, Pedra Bela, Monte Alegre do Sul, Vargem e Extrema (MG); ao Sul suas divisas são os municípios de Atibaia e Jarinú; a Leste Piracaia e Joanópolis; a Oeste Itatiba, Tuiuti, Morungaba e Amparo.
O relevo da cidade é bastante acidentado com altitudes médias de 850 metros, integrando a região denominada planalto cristalino. Destacam-se as elevações locais: Arraial, Anhumas, Guaripocaba, Bocaina e do Lopo, sendo que esta última atinge 1710 metros de altitude.
A região bragantina apresenta características do clima subtropical, com temperatura média anual de 22º C, precipitação média anual de 1600 mm, com maiores índices de chuva no mês de janeiro e menor índice em agosto.
A hidrografia da região é composta pelas bacias dos rios Jaguari e Atibaia, havendo uma enorme quantidade de lagos e lagoas naturais e artificiais.
A localização geográfica da cidade contribui para a integração com outros centros urbanos. Está a 89 km de São Paulo, 59 km de Campinas, 65 km de Jundiaí, 97 km de São José dos Campos, 161 km de Santos, 410 km da cidade do Rio de Janeiro e 480 km de Belo Horizonte.
Na história oficial, Bragança Paulista foi fundada em 15 de dezembro de 1763 pelo casal Antonio Pires Pimentel e Dona Ignácia da Silva Pimentel, mas há necessidade de lembrar que as terras bragantinas eram passagens de bandeirantes, desde 1601, com a finalidade de explorar o sertão brasileiro a procura de ouro, prata e pedras preciosas, há relatos da passagem das bandeiras de André Leão, Fernão Dias Paes Leme, Francisco de Souza e Bartolomeu Bueno, que faziam pouso no morro do Lopo.
Os fundadores do município, Sr. Antonio e D. Ignácia, doaram as terras para a construção de uma capela no topo de uma colina, entre os ribeirões Canivete, a oeste, e Inhaúmas, a leste. A escritura da doação do terreno foi passada a 15 de dezembro de 1763 (dada considerada atualmente fundação do município), recebendo o nome de Conceição do Jaguary. Em 13 de fevereiro de 1765 o povoado é reconhecido e recebe o nome de Distrito da Paz e Freguesia de Conceição do Jaguary. Em 1775 Conceição do Jaguary foi elevada à categoria de Vila, sendo denominada Vila Nova Bragança, deixando de pertencer a Atibaia. A Vila Bragança prospera e em 20 de abril de 1856 é elevada à categoria de cidade pela lei provincial nº. 21, recebendo o nome de Bragança. Em 30 de novembro de 1944, passou-se chamar Bragança Paulista para diferenciar da cidade do estado do Pará que tem o mesmo nome.
O século XIX foi de grande evolução para o recente município. No início deste século a cidade já possuía comércio, profissionais liberais, Colégio Bragantino (primeiro estabelecimento de ensino, fundado pelo professor José Guilherme Cristiano) e posteriormente o Grupo escolar Jorge Tibiriçá, Clube Literário Bragantino, imprensa, clube de escravos (o primeiro no gênero em todo o país), estrada de ferro, serviço de água encanada (abastecendo, inicialmente a Rua Direita e a do Comércio).
O século XX continua sendo de suma importância para a evolução do município. No início deste século habitam na cidade 5682 imigrantes, vindos da Itália, Espanha, Portugal, África, e outras nacionalidades.
A vinda de indústrias, o aumento do comércio, construções de escolas, asilo, teatro, cinema, hotel, são evidências de que a economia bragantina era equilibrada (em plena crise do café), percebe-se que a administração pública tinha zelo em administrar a cidade.
Na segunda metade do século XX a economia do município fica estagnada - são os anos da desaceleração, da introspecção. A inauguração da Rodovia Fernão Dias é um dos principais motivos para esta situação, pois facilitava o acesso da população e dos moradores das cidades do sul de Minas Gerais à cidade de São Paulo. Outros motivos também explicam sua estagnação, mas não são tão relevantes quanto à construção da citada rodovia.
Outros acontecimentos importantes ocorreram no município, com impactos positivos e negativos. Entre eles podem ser citados como exemplos de impactos negativos a perda de território municipal, em favor dos então distritos de Pinhalzinho, Pedra Bela, Vargem e Tuiuti e a descentralização da economia, já discutida anteriormente. São exemplos de impactos positivos, por sua vez, a elevação de Bragança Paulista a condição de Estância Climática, a construção de uma universidade pelos frades franciscanos (USF - Universidade São Francisco) e o reconhecimento do município como sede de região.
Texto: Valéria de Cássia Camargo
Imagens disponíveis na internet
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Ações que a escola deve realizar para assumir um compromisso com a Educação Ambiental
A educação ambiental, diferente do que muitas pessoas pensam, não trabalha só a questão da preservação da flora e da fauna mas sim a questões humanas, sociais, de relações entre o homem-natureza e este com seu semelhante, baseado nos princípios de respeito, autonomia, responsabilidade e democracia. Trabalhar a questão ambiental é refletir sobre o modo de vida que levamos, sobre o consumismo que nos governa.
Para que a educação ambiental se efetive, deve estar voltada para questões sócio-ambientais, para a construção de uma sociedade sustentável, uma sociedade que satisfaz suas necessidades sem diminuir os recursos naturais. Portanto é necessária uma urgente mudança de posturas, por parte de nós cidadãos. É preciso que o poder público invista mais nas questões ambientais desde a educação infantil até a educação de nível superior.
O que muitas vezes acontece é a falta de interesse por parte de alguns professores que desenvolvem projetos de educação ambiental em suas salas somente porque são ordens superiores, trabalhando de forma insatisfeita para cumprir o currículo.
O papel do professor, seja de qualquer segmento de ensino, é ser o provocador, o questionador, seu dever é instigar nos alunos a curiosidade ao assunto, para que os mesmos se transformaram em cidadãos ativos, participativos, críticos no processo da construção de uma sociedade igualitária e justa. Não é uma tarefa fácil trabalhar com a educação ambiental, pois esta pede mudanças de atitudes também por parte do professor, não só no desenvolver de um projeto, é preciso incorporá-las as ações cotidianas para que essa mudança ocorra.
O papel do professor, seja de qualquer segmento de ensino, é ser o provocador, o questionador, seu dever é instigar nos alunos a curiosidade ao assunto, para que os mesmos se transformaram em cidadãos ativos, participativos, críticos no processo da construção de uma sociedade igualitária e justa. Não é uma tarefa fácil trabalhar com a educação ambiental, pois esta pede mudanças de atitudes também por parte do professor, não só no desenvolver de um projeto, é preciso incorporá-las as ações cotidianas para que essa mudança ocorra.
Para despertar o interesse de seus alunos, o professor poderá realizar uma sondagem com os mesmos para levantarem as problemáticas locais, seja na própria escola, no bairro, na comunidade, pois o interesse será maior trabalhando com a realidade que eles conhecem e assim serem sujeitos ativos na mudança desta.
Se todos nos reunirmos em prol da questão ambiental de forma correta, certamente desaparecerão muitos de nossos problemas atuais seja no âmbito emocional, social, econômico, físico e outros, e então estaremos participando de uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária.
Texto: Valéria de Cássia Camargo
Texto: Valéria de Cássia Camargo
O comportamento do homem moderno, nas organizações, no mundo da virtualidade
Atualmente o mundo virtual está inserido em nosso cotidiano de modo que nos parece vital. Vivemos a cultural digital. Utilizamos o mundo virtual para fazer um pagamento, comprar um produto, estudar e até mesmo para arrumar um namorado.
As crianças já nascem neste mundo, vivem plugadas. E o que as escolas estão fazendo com os conhecimentos que as crianças estão trazendo para sala de aula, e como fica o currículo?
Os educadores não podem esquecer que a linguagem tecnológica faz parte da vida de nossos alunos. Muitas vezes o professor não interage com as novas tecnologias, mas a geração digital nos mostra modos diferentes de agir, pensar, interagir, atuar. Não se concentram em uma única tarefa por muito tempo, buscam diferentes fontes de informações, querem respostas imediatas.
Portanto é preciso enriquecer as práticas pedagógicas com conhecimentos que os alunos trazem, ser provocadores, aprofundar-se mais. É importante ir além do que já conhecem.
Para isso é preciso uma estrutura organizacional em que se criem estratégias para a formação continuada dos professores, pois este deve ser conhecedor de sua área de atuação, recriando o currículo a U.E, para que possam ser planejadas e desenvolvidas ações que ajude o aluno a sistematizar os conhecimentos que possuem em relação ao mundo virtual. Para que o conhecimento cientifico se integre ao seu cotidiano, é preciso uma intencionalidade pedagógica, que torne as aulas algo vivo que atenta as distintas necessidades de aprendizagens.
Texto de Valéria de Cássia Camargo
Atraso no desenvolvimento da fala pode levar a problemas psicológicos?
Este é um dos primeiros estudos a acompanhar crianças com desenvolvimento tardio da linguagem. A pesquisa faz parte de um estudo amplo – feito durante muito tempo com um grande número de entrevistados – e que acompanhou esses indivíduos até a adolescência.
“Indivíduos com desenvolvimento tardio da linguagem realmente têm alguns problemas emocionais e comportamentais quando bebês – até os dois anos de idade –, mas esses problemas não se mantêm ao longo do tempo”, diz Andrew Whitehouse, líder do estudo. “Acompanhamos esses indivíduos até os 17 anos e não observamos diferenças entre esses adolescentes e outros que haviam desenvolvido a linguagem no tempo médio esperado.”
Alguns problemas comportamentais e emocionais durante a primeira infância se dão principalmente pelas dificuldades psicossociais ligadas ao fato de não conseguirem se comunicar e a consequente frustração. Mas assim que essas crianças atingem o padrão de normalidade de verbalização – ou seja, durante a idade escolar – esses problemas parecem ter remissão.
“Ter um filho saudável, mas que não fala com a mesma fluência que outras crianças na sua idade, pode ser estressante para os pais. Mas nosso estudo indica que eles não devem se preocupar com que isso possa comprometer a vida futura de seus filhos. A maioria dessas crianças vai alcançar o nível de normalidade da fala quando começar a interagir com outras crianças”, diz o pesquisador que lembra que isso não quer dizer que não haja crianças que tenham problemas futuros ligados à linguagem.
“Claro que há crianças que têm dificuldade com a fala e que persistem após o início da vida escolar e, sim, esses indivíduos podem ter outros problemas psicológicos se não forem acompanhados por um profissional especializado”, alerta Whitehouse. Por isso, diz, é preciso que os pais observem esse comportamento nas crianças saudáveis – que já estão interagindo no ambiente acadêmico e continuam com problemas de comunicação – e procurem auxílio o mais cedo possível.
Com informações da Pediatrics.
* Publicado originalmente no site O que eu tenho.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Sebastião Rocha: Cansado de ver cadeiras vazias fundou uma escola debaixo do pé de manga
Já havia assistido um vídeo sobre Sebastião Rocha e como este modificou a concepção de escola.
No vídeo ele falava sobre criança feixe de luz, que após unir muitas surgia um holofote. Eis então a entrevista que deu origem a esta nova concepção de escola.
Esse texto faz parte da coleção “Histórias que mudam o mundo”, criada e mantida pelo Museu da Pessoa. Nela, encontram-se grandes e pequenas histórias de mudanças que acontecem todos os dias ao nosso redor, transformando vidas e fazendo do mundo um lugar mais justo, mais bonito e mais feliz.
Quando eu saí da universidade, vi que precisava criar um espaço de aprendizagem. Há 21 anos resolvi, com um grupo de amigos, criar o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, o CPCD. Nós tínhamos um monte de perguntas, de dúvidas. A primeira pergunta que a gente se fez foi se era possível educar sem escola, porque a gente via muito menino na rua querendo aprender, e que ia pra escola e era expulso. Repetia um, dois anos e saía fora. Havia muito projeto de construção de escolas, e no fim, as salas ficavam vazias.
Então eu fui para a Rádio Clube de Curvelo (MG) e falei: “Vai ter uma reunião das pessoas interessadas pra discutir uma educação sem escola, uma escola debaixo do pé de manga”. Sentamos numa roda e começamos a falar disso. Depois de uma semana de conversa eu vi que a gente não falava de uma escola que a gente gostaria de ter, a gente falava de uma escola que a gente gostaria de não ter. E aí eu transformei aquelas informações num negócio que eu chamei de Não Objetivos Educacionais. O que nós não queremos que aconteça.
Eu mandei pra uma fundação em São Paulo, a Fundação Kellog. O Marcos Kisil viu aquilo, me ligou e falou: “Olha, eu recebi um projeto aqui meio estranho. Não tem objetivos, ele tem não objetivos”. Eu falei: “Mas é isso mesmo, professor”. Ele falou: “Mas com não objetivos você vai ter não financiamento”. Eu falei: “E o senhor vai ter não resultado e não vai dar certo”. Ele falou: “Isso é uma ideia muito maluca. Vou criar um banco de ideias, vou deixar isso cozinhando aqui pra ver se um dia a gente conversa a respeito”.
Passado uns dois meses ele me chamou: “Se você nos convencer de que isto é interessante, nós vamos entrar com você nessa empreitada”. Eu consegui convencê-los e montamos a primeira experiência nossa, o Projeto Sementinha.
O que a gente desenvolveu nesses anos todos foram quatro grandes pedagogias. Uma é a pedagogia da roda, em que tudo o que a gente faz é numa roda e com todo mundo se vendo. A roda produz consensos e não produz eleições. A outra é a do brinquedo, em que é possível aprender matemática, história, geografia, ética, generosidade, solidariedade e sexualidade, jogando e brincando prazerosamente. Outra é a pedagogia do abraço, que constroi as relações de autoestima e de solidariedade. E a última é a do sabão, quer dizer, do aproveitamento dos recursos, do conhecimento ancestral para a construção de coisas.
Cada uma delas foi construída e é construída diariamente com a meninada. E desde essa época eu comecei a defender uma ideia que vai na contramão do discurso oficial, que falava que lugar de menino é na escola. É na escola só se for aprendendo, porque se não for aprendendo é chato demais. Lugar de menino é na rua, na praça, no coreto, no shopping. Não temos que tirar os meninos da rua, temos que transformar a rua num espaço de solidariedade. Para nós, solidariedade é construída, não é por decreto. As pessoas não nascem solidárias.
* Publicado originalmente no site As Boas Novas.
Disponível em: http://envolverde.com.br/educacao/escolas/sebastiao-rocha-cansado-de-ver-cadeiras-vazias-fundou-uma-escola-debaixo-do-pe-de-manga/ Acessado em 20/04/2011
Nem de direita, nem de esquerda, muito pelo contrário

Rotular e engessar o conceito da sustentabilidade é um desserviço à busca pleo desenvolvimento sustentável.
Não tem sido incomum, ao participar de encontros, debates e palestras, ao escrever artigos e até mesmo em conversas informais, ser questionado sobre este ou aquele posicionamento em prol da sustentabilidade com a visão tradicional da política construída ao longo dos últimos dois séculos. Dependendo do ponto de vista do observador, a sustentabilidade tem sido taxada de direitista e reacionária ou de esquerdista e socializante.
Vale lembrar qual a definição para sustentabilidade consagrada no Relatório Bruntland, intitulado Nosso Futuro Comum, de 1987: “a capacidade das gerações atuais suprirem as suas necessidades, sem comprometer a capacidade das futuras gerações fazerem o mesmo”. Ela é até bastante simples na sua concepção, mas também muito complexa na sua aplicação. Ter a noção de que precisamos pensar no futuro da humanidade é algo tão óbvio e ululante, como afirmaria o dramaturgo Nelson Rodrigues, que sua compreensão não escapa ao raciocínio de crianças em tenra idade.
Mas o que é ainda mais facilmente observável é a total miopia que impera quando se discutem ações efetivas para colocar tal conceito em prática. Os obstáculos vão da prevalência dos interesses individuais sobre os coletivos quando nos referimos à postura das pessoas e das empresas, até chegarmos à priorização nefasta de governos e nações dos interesses regionais e nacionais sobre os problemas do planeta que afetam a todos indistintamente. Resumindo: é o famoso cada um no seu quadrado!
Aí, se argumentamos contrariamente a tais posturas, apelando para a redução do consumismo e da exploração irracional dos recursos naturais, por medidas de combate ao desmatamento e ao aquecimento global, entre algumas das principais bandeiras do movimento ambiental, surgem os rótulos usados indistintamente pelos ideólogos da direita e da esquerda.
Para o mesmo tema, só para ficar num exemplo, o do consumismo, a direita afirma ser uma reação socialista e anticapitalista. Já para a esquerda constitui-se em típica ação elitista contra os direitos do povo de consumir e conquistar empregos. Como se o consumo excessivo e insano pudesse ser visto com bons olhos no longo prazo. As trocas alucinadas de carro, celulares e televisores, a compra de objetos e quinquilharias pouco ou nada úteis, com enormes desperdícios de materiais e matérias-primas que, com certeza deverão fazer falta em breve, são vistos como positivos por muita gente.
Visão global
Sustentabilidade não deve e não pode estar a serviço de quaisquer das visões hegemônicas da política e da economia do Século 20. Crescimento dissociado do desenvolvimento sustentável é um perigo e um retrocesso. Priorizar o atendimento das necessidades de uma cidade, de um país ou de uma região, desvinculado de uma visão global, é um mergulho no escuro com consequências desconhecidas e certamente trágicas para todos os habitantes do planeta.
Código Florestal
Um dos casos mais interessantes e emblemáticos desta polarização e demonização é o do atual debate sobre o Código Florestal, o polêmico projeto do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP). A aprovação das alterações no Código é defendida igualmente pelo Partido Comunista do Brasil e por setores majoritários do agronegócio nacional.
Do lado oposto, os ambientalistas também consideram a necessidade de atualização do Código, vigente desde 1965, mas não aceitam diversos artigos do projeto, pois avaliam que será um estímulo ao desmatamento, ao aumento da ocupação e contaminação dos rios, além de garantir a anistia daqueles que burlaram a lei e cometeram crimes ambientais.
Quem acompanha as calorosas discussões já deve ter notado a farta e raivosa classificação com que ambos os lados rotulam os adversários. Claro que, como alguém que defende a causa da sustentabilidade, não concordo com diversos itens da nova proposta do deputado Rebelo, mas considero um desserviço colocarmos um lado como representante do bem e outro do mal. Quando esta polaridade surge em qualquer tipo de debate, político, social, econômico, futebolístico ou o que mais for, o diálogo já está sepultado. Afinal, não existe diálogo se do outro lado está um inimigo que só deseja o mal e a destruição. Ponto final!
Se taxarmos o projeto do deputado Rebelo de apenas estar a serviço do agronegócio, do latifúndio e dos destruidores das florestas e da biodiversidade de nosso país, estaremos apenas enxergando o demônio. Por outro lado, como ocorreu recentemente comigo, ser acusado por integrantes do PCdoB de representar os interesses de multinacionais e governos estrangeiros que não querem o desenvolvimento do Brasil, aí teremos o surgimento de outro capeta.
Felizmente, nesse caso específico, do Código Florestal, ambos os demônios estão sentando para conversar. As bancadas, ruralista e ambientalista, estão negociando um acordo no Congresso Nacional sob a mediação dos Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura para que se chegue a um denominador comum e que o bom senso prevaleça.
O importante nesse caso e nos muitos outros com os quais iremos nos defrontar num futuro imediato é, como Walter Franco disse em música nos anos 1980, “manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. E, acrescentando: não nos esqueçamos de ter um olhar no horizonte e no futuro dos nossos filhos! FORA SATANÁS!!!
* Quero deixar claro que o título deste artigo não está plagiando a declaração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quando definiu o seu novo partido PSD. A ideia central é bem distinta!
** Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital e colaborador da Envolverde.
Disponível em: http://envolverde.com.br/sociedade/artigo-sociedade/nem-direita-nem-esquerda-muito-pelo-contrario/ Acessado em 21/04/2011
A doença chamada homem
Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico. Freud diria que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem violências e crimes como aquele que ocorreu recentemente.
Podemos superar esta dilaceração no humano? Foi a pergunta que A. Einstein colocou numa carta de 30 de julho de1932 a S. Freud: “Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição?” Freud respondeu realisticamente: “Não existe a esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte (Thanatos)”. E termina com uma frase resignada: “esfaimados, pensamos no moinho que tão lentamente moi, e poderemos morrer de fome antes de receber a farinha”. Será esse o nosso destino?
Por que escrevo isto tudo? É em razão do tresloucado que, no dia 5 abril, numa escola de um bairro do Rio de Janeiro, matou à bala 12 inocentes estudantes entre 13 e 15 anos e deixou 12 feridos. Já se fizeram um sem número de análises, foram sugeridas inúmeras medidas como a da restrição da venda de armas, a de montar esquemas de segurança policial em cada escola, e outras. Tudo isto tem seu sentido. Mas não se vai ao fundo da questão. A dimensão assassina, sejamos concretos e humildes, habita em cada um de nós. Temos instintos de agredir e de matar. É da condição humana, pouco importam as interpretações que lhe dermos. A sublimação e a negação desta antirrealidade não nos ajuda. Importa assumi-la e buscar formas de mantê-la sob controle e impedir que inunde a consciência, recalque o instinto de vida e assuma as rédeas da situação. Freud bem sugeria: tudo o que faz criar laços emotivos entre os seres humanos, tudo o que civiliza, toda a educação, toda arte e toda competição pelo melhor, trabalha contra a agressão e a morte.
O crime perpretado na escola é horripilante. Nós cristãos conhecemos a matança dos inocentes ordenada por Herodes. De medo que Jesus, recém-nascido, mais tarde fosse lhe arrebatar o poder, mandou matar todas as crianças nas redondezas de Belém. E os textos sagrados trazem expressões das mais comovedoras: “Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada porque os perdeu” (Mt 2,18). Algo parecido ocorreu com os familiares das vítimas.
Esse fato criminoso não está isolado de nossa sociedade. Esta não tem violência. Pior. Está montada sobre estruturas permanentes de violênca. Aqui mais valem os privilégios que os direitos. Marcio Pochmann, em seu Atlas Social do Brasil, nos traz dados estarrecedores: 1% da população (cerca de cinco mil famílias) controlam 48% do PIB e 1% dos grandes proprietários detêm 46% de todas as terras. Pode-se construir uma sociedade de paz sobre semelhante violência social? Estes são aqueles que abominam falar de reforma agrária e de modificações no Código Florestal. Mais valem seus privilégios que os direitos da vida.
O fato é que em pessoas perturbadas psicologicamente, a dimensão de morte, por mil razões subjacentes, pode aflorar e dominar a personalidade. Não perde a razão. Usa-a a serviço de uma emoção distorcida. O fato mais trágico, estudado minuciosamente por Erich Fromm (Anatomia da Destrutividade Humana, 1975) foi o de Adolf Hittler. Desde jovem foi tomado pelo instinto de morte. No final da guerra, ao constatar a derrota, pede ao povo que destrua tudo, envene as águas, queime os solos, liquide os animais, derrube os monumentos, se mate como raça e destrua o mundo. Efetivamente, ele se matou e todos os seus seguidores próximos. Era o império do princípio de morte.
Cabe a Deus julgar a subjetividade do assassino da escola de estudantes. A nós cabe condenar o que é objetivo, o crime de gravíssima perversidade e saber localizá-lo no âmbito da condição humana. E usar todas as estratégias positivas para enfrentar o Trabalho do Negativo e compeender os mecanismos que nos podem subjugar. Não conheço outra estratégia melhor que buscar uma sociedade justa, na qual o direito, o respeito, a cooperação e a educacção e a saúde para todos sejam garantidos. E o método nos foi apontado por Francisco de Assis em sua famosa oração: levar amor onde reinar o ódio, o perdão onde houver ofensa, a esperança onde grassar o desespero, e a luz onde dominar as trevas. A vida cura a vida e o amor supera em nós o ódio que mata.
* Leonardo Boff é teólogo e filósofo.
Disponível em: http://envolverde.com.br/sociedade/artigo-sociedade/a-doenca-chamada-homem/ Acessado em 20/04/2011
Disponível em: http://envolverde.com.br/sociedade/artigo-sociedade/a-doenca-chamada-homem/ Acessado em 20/04/2011
sábado, 9 de abril de 2011
Carta da Terra
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.
TERRA, NOSSO LAR
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
A SITUAÇÃO GLOBAL
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
DESAFIOS FUTUROS
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.
RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.
PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
- Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
- Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
- Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
- Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
maior responsabilidade de promover o bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
- Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
- Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.
- Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
- Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.
- Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
- stabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
- Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
- Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que
causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses
organismos prejudiciais. - Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
- Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
- Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
- Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
- Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
- Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
- Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
- Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
- Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
- Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias
ambientais seguras. - Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
- Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
- Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
- Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
- Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
- Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
- Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
- Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
- Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
- Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
- Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
- Assegurar que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
- Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais
atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas
conseqüências de suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
- Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
- Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
- Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da
família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
- Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
- Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
- Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu
papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. - Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
- Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
- Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
- Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
- Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
- Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
- Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
- Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
- Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
- Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
- Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
- Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
- Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
- Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
- Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
- Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
- Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
- Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em
massa. - Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
- Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.
Disponível em: http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html Acessado em 09 de abril de 2011.
quarta-feira, 30 de março de 2011
24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão
1. Como ter certeza de que um aluno com deficiência está apto a frequentar a escola?
Aos olhos da lei, essa questão não existe - todos têm esse direito. Só em alguns casos é necessária uma autorização dos profissionais de saúde que atendem essa criança. É dever do estado oferecer ainda uma pessoa para ajudar a cuidar desse aluno e todos os equipamentos específicos necessários. "Cabe ao gestor oferecer as condições adequadas conforme a realidade de sua escola", explica Daniela Alonso, psicopedagoga especializada em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
2. As turmas que têm alunos com deficiência devem ser menores?
Sim, pois grupos pequenos (com ou sem alunos de inclusão) favorecem a aprendizagem. Em classes numerosas, os professores encontram mais dificuldade para flexibilizar as atividades e perceber as necessidades e habilidades de cada um.
3. Quantos alunos com deficiência podem ser colocados na mesma sala?
Não há uma regra em relação a isso, mas em geral existem dois ou, em alguns casos, três por sala. Vale lembrar que a proporção de pessoas com deficiência é de 8 a 10% do total da população.
4. Para torna a escola inclusiva, o que compete às diversas esferas de governo?
"O governo federal presta assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o acesso dos alunos e a formação de professores", explica Claudia Pereira Dutra, secretária de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Os gestores estaduais e municipais organizam sistemas de ensino voltados à diversidade, firmam e fiscalizam parcerias com instituições especializadas e administram os recursos que vêm do governo federal.
Aos olhos da lei, essa questão não existe - todos têm esse direito. Só em alguns casos é necessária uma autorização dos profissionais de saúde que atendem essa criança. É dever do estado oferecer ainda uma pessoa para ajudar a cuidar desse aluno e todos os equipamentos específicos necessários. "Cabe ao gestor oferecer as condições adequadas conforme a realidade de sua escola", explica Daniela Alonso, psicopedagoga especializada em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
2. As turmas que têm alunos com deficiência devem ser menores?
Sim, pois grupos pequenos (com ou sem alunos de inclusão) favorecem a aprendizagem. Em classes numerosas, os professores encontram mais dificuldade para flexibilizar as atividades e perceber as necessidades e habilidades de cada um.
3. Quantos alunos com deficiência podem ser colocados na mesma sala?
Não há uma regra em relação a isso, mas em geral existem dois ou, em alguns casos, três por sala. Vale lembrar que a proporção de pessoas com deficiência é de 8 a 10% do total da população.
4. Para torna a escola inclusiva, o que compete às diversas esferas de governo?
"O governo federal presta assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o acesso dos alunos e a formação de professores", explica Claudia Pereira Dutra, secretária de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Os gestores estaduais e municipais organizam sistemas de ensino voltados à diversidade, firmam e fiscalizam parcerias com instituições especializadas e administram os recursos que vêm do governo federal.
5. Quem tem deficiência aprende mesmo?
Sem dúvida. Sempre há avanços, seja qual for a deficiência. Surdos e cegos, por exemplo, podem desenvolver a linguagem e o pensamento conceitual. Crianças com deficiência mental podem ter mais dificuldade para se alfabetizar, mas adquirem a postura de estudante, conhecendo e incorporando regras sociais e desenvolvendo habilidades como a oralidade e o reconhecimento de sinais gráficos. "É importante entender que a escola não deve, necessariamente, determinar o que e quando esse aluno vai aprender. Nesses casos, o gestor precisa rever a relação entre currículo, tempo e espaço", afirma Daniela Alonso.
6. Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) e o currículo da escola?
Sim. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para contemplar as diversas necessidades.
7. Em que turma o aluno com deficiência deve ser matriculado?
Junto com as crianças da mesma idade. "As deficiências física, visual e auditiva não costumam representar um problema, pois em geral permitem que o estudante acompanhe o ritmo da turma. Já os que têm deficiência intelectual ou múltipla exigem que o gestor consulte profissionais especializados ao tomar essa decisão", diz Daniela Alonso. Um aluno com síndrome de Down, por exemplo, pode se beneficiar ficando com um grupo de idade inferior à dele (no máximo, três anos de diferença). Mas essa decisão tem de ser tomada caso a caso.
8. Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
Não, ao contrário. Hoje, sabe-se que todos aprendem de forma diferente e que uma atenção individual do professor a determinado estudante não prejudica o grupo. Daí a necessidade de atender às necessidades de todos, contemplar as diversas habilidades e não valorizar a homogeneidade e a competição.
9. Como os alunos de inclusão devem ser avaliados?
De acordo com os próprios avanços e nunca mediante critérios comparativos. Esse é o modelo adotado na EM Valentim João da Rocha, em Joinville, a 174 quilômetros de Florianópolis (leia mais no quadro abaixo). "Os professores devem receber formação para observar e considerar o desenvolvimento individual, mesmo que ele fuja dos critérios previstos para o resto do grupo", explica Rossana Ramos, professora da Universidade de Pernambuco (UPE). Quando o estudante acompanha o ritmo da turma, basta fazer as adaptações, como uma prova em braile para os cegos.
Sem dúvida. Sempre há avanços, seja qual for a deficiência. Surdos e cegos, por exemplo, podem desenvolver a linguagem e o pensamento conceitual. Crianças com deficiência mental podem ter mais dificuldade para se alfabetizar, mas adquirem a postura de estudante, conhecendo e incorporando regras sociais e desenvolvendo habilidades como a oralidade e o reconhecimento de sinais gráficos. "É importante entender que a escola não deve, necessariamente, determinar o que e quando esse aluno vai aprender. Nesses casos, o gestor precisa rever a relação entre currículo, tempo e espaço", afirma Daniela Alonso.
6. Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) e o currículo da escola?
Sim. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para contemplar as diversas necessidades.
7. Em que turma o aluno com deficiência deve ser matriculado?
Junto com as crianças da mesma idade. "As deficiências física, visual e auditiva não costumam representar um problema, pois em geral permitem que o estudante acompanhe o ritmo da turma. Já os que têm deficiência intelectual ou múltipla exigem que o gestor consulte profissionais especializados ao tomar essa decisão", diz Daniela Alonso. Um aluno com síndrome de Down, por exemplo, pode se beneficiar ficando com um grupo de idade inferior à dele (no máximo, três anos de diferença). Mas essa decisão tem de ser tomada caso a caso.
8. Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
Não, ao contrário. Hoje, sabe-se que todos aprendem de forma diferente e que uma atenção individual do professor a determinado estudante não prejudica o grupo. Daí a necessidade de atender às necessidades de todos, contemplar as diversas habilidades e não valorizar a homogeneidade e a competição.
9. Como os alunos de inclusão devem ser avaliados?
De acordo com os próprios avanços e nunca mediante critérios comparativos. Esse é o modelo adotado na EM Valentim João da Rocha, em Joinville, a 174 quilômetros de Florianópolis (leia mais no quadro abaixo). "Os professores devem receber formação para observar e considerar o desenvolvimento individual, mesmo que ele fuja dos critérios previstos para o resto do grupo", explica Rossana Ramos, professora da Universidade de Pernambuco (UPE). Quando o estudante acompanha o ritmo da turma, basta fazer as adaptações, como uma prova em braile para os cegos.
10. A nota da escola nas avaliações externas cai quando ela tem estudantes com deficiência?
Em princípio, não. Porém há certa polêmica em relação aos casos de deficiência intelectual. O MEC afirma que não há impacto significativo na nota. Já os especialistas dizem o contrário. Professores costumam reclamar disso quando o desempenho da escola tem impacto em bônus ou aumento salarial. "O ideal seria ter provas adaptadas dentro da escola ou, ao menos, uma monitoria para que os alunos pudessem realizá-las. Tudo isso, é claro, com a devida regulamentação governamental", defende Daniela Alonso. Enquanto isso não acontece, cabe aos gestores debater essas questões com a equipe e levá-las à Secretaria de Educação.
11. É possível solicitar o apoio de pessoal especializado?
Mais do que possível, é necessário. O aluno tem direito à Educação regular em seu turno e ao atendimento especializado no contraturno, responsabilidade que não compete ao professor de sala. Para tanto, o gestor pode buscar informações na Secretaria de Educação Especial do MEC, na Secretaria de Educação local e em organizações não governamentais, associações e universidades. Além do atendimento especializado, alunos com deficiência têm direito a um cuidador, que deve participar das reuniões sobre o acompanhamento da aprendizagem, como na EMEF Luiza Silvina Jardim Rebuzzi, em Aracruz, a 79 quilômetros de Vitória (leia mais no quadro abaixo).
12. Como integrar o trabalho do professor ao do especialista?
Disponibilizando tempo e espaço para que eles se encontrem e compartilhem informações. Essa integração é fundamental para o processo de inclusão e cabe ao diretor e ao coordenador pedagógico garantir que ela ocorra nos horários de trabalho pedagógico coletivo.
13. Como lidar com as inseguranças dos professores?
Promovendo encontros de formação e discussões em que sejam apresentadas as novas concepções sobre a inclusão (que falam, sobretudo, das possibilidades de aprendizagem). "O contato com teorias e práticas pedagógicas transforma o posicionamento do professor em relação à Educação inclusiva", diz Rossana Ramos. Nesses encontros, não devem ser discutidas apenas características das deficiências. "Apostamos pouco na capacidade desses alunos porque gastamos muito tempo tentando entender o que eles têm, em vez de conhecer as experiências pelas quais já passaram", afirma Luiza Russo, presidente do Instituto Paradigma, de São Paulo.
14. Como preparar os funcionários para lidar com a inclusão?
Formação na própria escola é a solução, em encontros que permitam que eles exponham dificuldades e tirem dúvidas. "Esse diálogo é uma maneira de mudar a forma de ver a questão: em vez de atender essas crianças por boa vontade, é importante mostrar que essa demanda exige a dedicação de todos os profissionais da escola", diz Liliane Garcez, da comissão executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e coordenadora de pós-graduação de Inclusão no Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (Cevec). É possível também oferecer uma orientação individual e ficar atento às ofertas de formação das Secretarias de Educação.
Em princípio, não. Porém há certa polêmica em relação aos casos de deficiência intelectual. O MEC afirma que não há impacto significativo na nota. Já os especialistas dizem o contrário. Professores costumam reclamar disso quando o desempenho da escola tem impacto em bônus ou aumento salarial. "O ideal seria ter provas adaptadas dentro da escola ou, ao menos, uma monitoria para que os alunos pudessem realizá-las. Tudo isso, é claro, com a devida regulamentação governamental", defende Daniela Alonso. Enquanto isso não acontece, cabe aos gestores debater essas questões com a equipe e levá-las à Secretaria de Educação.
11. É possível solicitar o apoio de pessoal especializado?
Mais do que possível, é necessário. O aluno tem direito à Educação regular em seu turno e ao atendimento especializado no contraturno, responsabilidade que não compete ao professor de sala. Para tanto, o gestor pode buscar informações na Secretaria de Educação Especial do MEC, na Secretaria de Educação local e em organizações não governamentais, associações e universidades. Além do atendimento especializado, alunos com deficiência têm direito a um cuidador, que deve participar das reuniões sobre o acompanhamento da aprendizagem, como na EMEF Luiza Silvina Jardim Rebuzzi, em Aracruz, a 79 quilômetros de Vitória (leia mais no quadro abaixo).
12. Como integrar o trabalho do professor ao do especialista?
Disponibilizando tempo e espaço para que eles se encontrem e compartilhem informações. Essa integração é fundamental para o processo de inclusão e cabe ao diretor e ao coordenador pedagógico garantir que ela ocorra nos horários de trabalho pedagógico coletivo.
13. Como lidar com as inseguranças dos professores?
Promovendo encontros de formação e discussões em que sejam apresentadas as novas concepções sobre a inclusão (que falam, sobretudo, das possibilidades de aprendizagem). "O contato com teorias e práticas pedagógicas transforma o posicionamento do professor em relação à Educação inclusiva", diz Rossana Ramos. Nesses encontros, não devem ser discutidas apenas características das deficiências. "Apostamos pouco na capacidade desses alunos porque gastamos muito tempo tentando entender o que eles têm, em vez de conhecer as experiências pelas quais já passaram", afirma Luiza Russo, presidente do Instituto Paradigma, de São Paulo.
14. Como preparar os funcionários para lidar com a inclusão?
Formação na própria escola é a solução, em encontros que permitam que eles exponham dificuldades e tirem dúvidas. "Esse diálogo é uma maneira de mudar a forma de ver a questão: em vez de atender essas crianças por boa vontade, é importante mostrar que essa demanda exige a dedicação de todos os profissionais da escola", diz Liliane Garcez, da comissão executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e coordenadora de pós-graduação de Inclusão no Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (Cevec). É possível também oferecer uma orientação individual e ficar atento às ofertas de formação das Secretarias de Educação.
15. Como trabalhar com os alunos a chegada de colegas de inclusão?
Em casos de deficiências mais complexas, é recomendável orientar professores e funcionários a conversar com as turmas sobre as mudanças que estão por vir, como a colocação de uma carteira adaptada na classe ou a presença de um intérprete durante as aulas. Quando a inclusão está incorporada ao dia a dia da escola, esses procedimentos se tornam menos necessários.
16. O que fazer quando o aluno com deficiência é agressivo?
A equipe gestora deve investigar a origem do problema junto aos professores e aos profissionais que acompanham esse estudante. "Pode ser que o planejamento não esteja contemplando a participação dele nas atividades", afirma Daniela Alonso. Nesse caso, cabe ao gestor rever com a equipe a proposta de inclusão. Se a questão envolve reclamações de pais de alunos que tenham sido vítimas de agressão, o ideal é convidar as famílias para uma conversa.
17. O que fazer quando a criança com deficiência é alvo de bullying?
É preciso elaborar um projeto institucional para envolver os alunos e a comunidade e reforçar o trabalho de formação de valores.
18. Os pais precisam ser avisados que há um aluno com deficiência na mesma turma de seu filho?
Não necessariamente. O importante é contar às famílias, no ato da matrícula, que o PPP da escola contempla a diversidade. A exceção são os alunos com quadro mais severo - nesses casos, a inclusão dá mais resultado se as famílias são informadas em encontros com professores e gestores. "Isso porque as crianças passam a levar informações para casa, como a de que o colega usa fralda ou baba. E, em vez de se alarmar, os pais poderão dialogar", diz Daniela Alonso.
19. Como lidar com a resistência dos pais de alunos sem deficiência?
O argumento mais forte é o da lei, que prevê a matrícula de alunos com deficiência em escolas regulares. Outro caminho é apresentar a nova concepção educacional que fundamenta e explica a inclusão como um processo de mão dupla, em que todos, com deficiência ou não, aprendem pela interação e diversidade.
20. Uma criança com deficiência mora na vizinhança, mas não vai à escola. O que fazer?
Alertar a família de que a matrícula é obrigatória. Ainda há preconceito, vergonha e insegurança por parte dos pais. Quebrar resistências exige mostrar os benefícios que a criança terá e que ela será bem cuidada. É o que faz a diretora da EM Osório Leônidas Siqueira, em Petrolina, a 765 quilômetros do Recife (leia mais no quadro abaixo). Os períodos de adaptação, em que os pais ficam na escola nos primeiros dias, também ajudam. Se houver recusa em fazer a matrícula, é preciso avisar o Conselho Tutelar e, em último caso, o Ministério Público.
Em casos de deficiências mais complexas, é recomendável orientar professores e funcionários a conversar com as turmas sobre as mudanças que estão por vir, como a colocação de uma carteira adaptada na classe ou a presença de um intérprete durante as aulas. Quando a inclusão está incorporada ao dia a dia da escola, esses procedimentos se tornam menos necessários.
16. O que fazer quando o aluno com deficiência é agressivo?
A equipe gestora deve investigar a origem do problema junto aos professores e aos profissionais que acompanham esse estudante. "Pode ser que o planejamento não esteja contemplando a participação dele nas atividades", afirma Daniela Alonso. Nesse caso, cabe ao gestor rever com a equipe a proposta de inclusão. Se a questão envolve reclamações de pais de alunos que tenham sido vítimas de agressão, o ideal é convidar as famílias para uma conversa.
17. O que fazer quando a criança com deficiência é alvo de bullying?
É preciso elaborar um projeto institucional para envolver os alunos e a comunidade e reforçar o trabalho de formação de valores.
18. Os pais precisam ser avisados que há um aluno com deficiência na mesma turma de seu filho?
Não necessariamente. O importante é contar às famílias, no ato da matrícula, que o PPP da escola contempla a diversidade. A exceção são os alunos com quadro mais severo - nesses casos, a inclusão dá mais resultado se as famílias são informadas em encontros com professores e gestores. "Isso porque as crianças passam a levar informações para casa, como a de que o colega usa fralda ou baba. E, em vez de se alarmar, os pais poderão dialogar", diz Daniela Alonso.
19. Como lidar com a resistência dos pais de alunos sem deficiência?
O argumento mais forte é o da lei, que prevê a matrícula de alunos com deficiência em escolas regulares. Outro caminho é apresentar a nova concepção educacional que fundamenta e explica a inclusão como um processo de mão dupla, em que todos, com deficiência ou não, aprendem pela interação e diversidade.
20. Uma criança com deficiência mora na vizinhança, mas não vai à escola. O que fazer?
Alertar a família de que a matrícula é obrigatória. Ainda há preconceito, vergonha e insegurança por parte dos pais. Quebrar resistências exige mostrar os benefícios que a criança terá e que ela será bem cuidada. É o que faz a diretora da EM Osório Leônidas Siqueira, em Petrolina, a 765 quilômetros do Recife (leia mais no quadro abaixo). Os períodos de adaptação, em que os pais ficam na escola nos primeiros dias, também ajudam. Se houver recusa em fazer a matrícula, é preciso avisar o Conselho Tutelar e, em último caso, o Ministério Público.
21. Como preparar os vários espaços da escola?
Ao buscar informações nas Secretarias de Educação e instituições que apoiam a inclusão, cabe ao gestor perguntar sobre tudo o que está disponível. O MEC libera recursos financeiros para ações de acessibilidade física, como rampas e elevadores, sinalização tátil em paredes e no chão, corrimões, portas e corredores largos, banheiros com vasos sanitários, pias e toalheiros adaptados e carteiras, mesas e cadeiras adaptadas. É fato, porém, que há um grande descompasso entre a demanda e a disponibilização dos recursos. O processo nem sempre é rápido e exige do gestor criatividade para substituir a falta momentânea do material.
22. Há diferença entre a sala de apoio pedagógico e a de recursos?
A primeira é destinada a qualquer aluno que precise de reforço no ensino. Já a sala de recursos oferece o chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE) exclusivamente para quem tem deficiência, algum transtorno global de desenvolvimento ou altas habilidades.
23. É preciso ter uma sala de recursos dentro da própria escola?
Se possível, sim. A lei diz que, no turno regular, o aluno com deficiência deve assistir às aulas na classe comum e, no contraturno, receber o AEE preferencialmente na escola. Existem duas opções para montar uma sala de recursos: a multifuncional (que o MEC disponibiliza) tem equipamentos para todas as deficiências e a específica (modelo usado por algumas Secretarias) atende a determinado tipo de deficiência. Enquanto a sala não for implantada, o gestor deve procurar trabalhar em parceria com o atendimento especializado presente na cidade e fazer acordos com centros de referência - como associações, universidades, ONGs e instituições conveniadas ao governo.
24. Como requisitar material pedagógico adaptado para a escola?
Áudio-livros, jogos, computadores, livros em braile e mobiliário podem ser requisitados à Secretaria de Educação local e ao MEC. "Para isso, é preciso que a Secretaria de Educação apresente ao MEC um Plano de Ações Articuladas", explica Claudia Dutra.
Se possível, sim. A lei diz que, no turno regular, o aluno com deficiência deve assistir às aulas na classe comum e, no contraturno, receber o AEE preferencialmente na escola. Existem duas opções para montar uma sala de recursos: a multifuncional (que o MEC disponibiliza) tem equipamentos para todas as deficiências e a específica (modelo usado por algumas Secretarias) atende a determinado tipo de deficiência. Enquanto a sala não for implantada, o gestor deve procurar trabalhar em parceria com o atendimento especializado presente na cidade e fazer acordos com centros de referência - como associações, universidades, ONGs e instituições conveniadas ao governo.
24. Como requisitar material pedagógico adaptado para a escola?
Áudio-livros, jogos, computadores, livros em braile e mobiliário podem ser requisitados à Secretaria de Educação local e ao MEC. "Para isso, é preciso que a Secretaria de Educação apresente ao MEC um Plano de Ações Articuladas", explica Claudia Dutra.
Disponível em: http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2593289823707793265&postID=7275993172037980759 Acessado em 30 de março de 2011.
terça-feira, 22 de março de 2011
Coisa de menino. Coisa de menina. Será?
Mesmo sem perceber, você pode estar tratando alunas e alunos de forma diferenciada. Veja aqui como evitar estereótipos.
Meninos são bagunceiros, gostam das aulas de Matemática e se dão melhor nos esportes. Meninas são organizadas, se destacam em Língua Portuguesa e Arte e têm mais disciplina. Quantas vezes você já não ouviu, disse ou pensou uma dessas frases? Várias, certo? Mas será que é isso mesmo? Esses conceitos, tão comuns em nosso cotidiano, expressam, na verdade, estereótipos sobre masculinidade e feminilidade. São heranças culturais transmitidas pela sociedade (família, amigos, professores). O que não quer dizer que seja a verdade absoluta. Ao contrário.
A natureza não determina que as moças devem lavar a louça e os rapazes, o carro. Nem que elas têm o direito de chorar em público e eles não. E na escola? Só as garotinhas podem manter os cadernos arrumados, com a letra impecável? Idéias assim não passam de estereótipos. Tratá-las como verdades imutáveis, ainda mais num local onde jovens personalidades estão apenas começando a se formar, pode ser um erro com uma conseqüência nefasta: a difusão de preconceitos. Ao reproduzir modelos, você pode, sem querer, estar podando habilidades, tolhendo talentos.
As diferenças entre os papéis atribuídos a homens e mulheres são estudadas há pelo menos 20 anos e conhecidas como relações de gênero ou gênero. "É essencial analisar os relacionamentos e o viver", explica Rosa Ester Rossini, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da Universidade de São Paulo (USP).
Infelizmente, ainda são poucos os colegas que discutem o assunto na sala dos professores e em classe. Os problemas, muitas vezes, começam na dificuldade de perceber (e avaliar) a própria postura. Em casa, na nossa família, os modelos são apresentados como prontos. "E precisamos acordar para a necessidade de discuti-los diariamente", diz Elenita Pinheiro de Queiroz Silva, mestranda em Educação e Gênero pela Universidade Federal da Bahia.
As diferenças entre os papéis atribuídos a homens e mulheres são estudadas há pelo menos 20 anos e conhecidas como relações de gênero ou gênero. "É essencial analisar os relacionamentos e o viver", explica Rosa Ester Rossini, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da Universidade de São Paulo (USP).
Infelizmente, ainda são poucos os colegas que discutem o assunto na sala dos professores e em classe. Os problemas, muitas vezes, começam na dificuldade de perceber (e avaliar) a própria postura. Em casa, na nossa família, os modelos são apresentados como prontos. "E precisamos acordar para a necessidade de discuti-los diariamente", diz Elenita Pinheiro de Queiroz Silva, mestranda em Educação e Gênero pela Universidade Federal da Bahia.
Todos somos diferentes
Muitos alunos continuarão chegando à sala de aula com idéias preestabelecidas, como o pai deve ser forte e a mãe, meiga e delicada. É aqui que você entra em cena. "A educação trazida de casa promove uma série de valores, mas nem sempre eles apontam para o melhor caminho", defende Yara Sayão, do Serviço de Psicologia Escolar da USP. "Se não fizermos nada, não daremos oportunidade para que as habilidades individuais apareçam."
Trabalhar relações sociais é mostrar que as pessoas são diferentes, que as culturas são diferentes, que a realidade do campo e da cidade é diferente, que o mundo é diferente... Na Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP, docentes e orientadores pedagógicos conseguiram transformar os pais em aliados e criar espaços de integração. Nas reuniões, o corpo docente incentiva as famílias a definir tarefas extraclasse para os alunos: comprar pão todos os dias, alimentar o cachorro, arrumar a cama, lavar a louça. Assim, a criança começa a entender que também é responsável pelo lugar onde vive e que pode desempenhar diferentes papéis. O trabalho prossegue no colégio. Nas aulas de Educação Física, todos realizam as atividades juntos. Pode ser um jogo de futebol com times mistos ou um ensaio de uma dança popular.
A chefe da família
O ideal é desenvolver atividades nas várias áreas, mas é possível trabalhar isoladamente, em cada disciplina. Patrícia* leciona História na rede estadual de Feira de Santana, interior da Bahia, e para falar de relações de gênero em sala de aula, usa o próprio exemplo. Ela é a chefe da família. Realidade cada vez mais comum no Brasil de hoje, a professora há 24 anos sustenta a casa com seu salário. O marido está desempregado e, obviamente, lava e passa roupa, cozinha, varre o chão tarefas historicamente tidas como femininas. Em classe, ela discute o papel do feminismo e a importância da mulher na família e no mundo. "Comparamos as sociedades antigas com a realidade de hoje", conta.
A professora só freqüentou a Faculdade de Estudos Sociais depois de casada. Recebia o crédito educativo e conciliava dois empregos para pagar as contas. Prestes a se aposentar, ela não esconde o orgulho de ter conseguido criar os cinco filhos com o próprio dinheiro as três moças, inclusive, chegaram à universidade. Apesar de não haver nada de errado com essa situação, o preconceito ainda fala mais alto. Patrícia é um nome fictício, pois ela não quer ser identificada.
Quando se fala em diferenciação entre sexos, isso não significa que os meninos estejam sempre em vantagem. Eles também são discriminados. Principalmente nas séries iniciais, em que letra bonita e caderno caprichado são sinônimos de bom aluno ou, na opinião de muitos professores, de boa aluna. Em geral, essas características são mais comuns às meninas e os pequenos acabam rotulados de desorganizados. Se tentam caprichar no caderno, o julgamento pode até piorar. Tudo porque falta preparo para enfrentar situações que fogem aos modelos tradicionais.
O que fazer quando o garoto insiste em participar da roda delas, ou quando ela não se encaixa no rótulo de bonequinha? "Todos devem ser livres para entrar no grupo preferido e jogar o que quiserem", explica Rosa Rossini. Em outras palavras: menino brincando de boneca? Pode, é claro. Menina que quer ser o pai na dramatização? Também pode. É bobagem imaginar que isso venha a determinar uma opção sexual no futuro. Na verdade, só estimula a compreensão de que papéis de gênero são mutáveis.
A professora só freqüentou a Faculdade de Estudos Sociais depois de casada. Recebia o crédito educativo e conciliava dois empregos para pagar as contas. Prestes a se aposentar, ela não esconde o orgulho de ter conseguido criar os cinco filhos com o próprio dinheiro as três moças, inclusive, chegaram à universidade. Apesar de não haver nada de errado com essa situação, o preconceito ainda fala mais alto. Patrícia é um nome fictício, pois ela não quer ser identificada.
Quando se fala em diferenciação entre sexos, isso não significa que os meninos estejam sempre em vantagem. Eles também são discriminados. Principalmente nas séries iniciais, em que letra bonita e caderno caprichado são sinônimos de bom aluno ou, na opinião de muitos professores, de boa aluna. Em geral, essas características são mais comuns às meninas e os pequenos acabam rotulados de desorganizados. Se tentam caprichar no caderno, o julgamento pode até piorar. Tudo porque falta preparo para enfrentar situações que fogem aos modelos tradicionais.
O que fazer quando o garoto insiste em participar da roda delas, ou quando ela não se encaixa no rótulo de bonequinha? "Todos devem ser livres para entrar no grupo preferido e jogar o que quiserem", explica Rosa Rossini. Em outras palavras: menino brincando de boneca? Pode, é claro. Menina que quer ser o pai na dramatização? Também pode. É bobagem imaginar que isso venha a determinar uma opção sexual no futuro. Na verdade, só estimula a compreensão de que papéis de gênero são mutáveis.
Respeito pelos outros
Veja o que aconteceu num colégio de Belo Horizonte. Maurício*, aluno do Ensino Fundamental, era acusado de homossexual pelos colegas porque estava sempre no grupo das garotas. A pressão era tanta que ele se isolou. Preocupados, os pais procuraram um psicólogo, que sugeriu a transferência de turno o que foi feito no início deste ano.
Para evitar que o quadro se repetisse na nova turma, a equipe pedagógica se preparou. Nas aulas de Filosofia, foram criadas dinâmicas e atividades de grupo para discutir temas relacionados ao respeito pelos outros. Com isso, a escola está proporcionando um ambiente saudável para Maurício e ensinando como é importante aceitar as diferenças.
Guacira Lopes Louro, doutora em Educação e autora de vários livros sobre relações de gênero, diz que é preciso que essas situações sejam encaradas sem medo. Ela explica que a intolerância se manifesta de diferentes formas: na linguagem usada em sala, nas piadas e no deboche. O silêncio e a não-interferência, porém, podem ser ainda piores. "Aceitar passivamente que um garoto que se nega a entrar numa briga seja chamado de bicha é alimentar preconceitos", ensina. "Estamos agindo como se fosse natural que os homens resolvam divergências por meio da disputa física."
Perceber que essa diferenciação existe nem sempre é fácil. Vivemos num tempo de grandes mudanças comportamentais e muitos avanços nas relações sociais. Turmas separadas por sexo são coisa do passado. Mas o que fazer quando os próprios alunos promovem uma separação por sexo? Em Feira de Santana, a professora Adriana Estrela Santos enfrentou, há três anos, uma situação dessas. Ela começava um estágio, no Colégio Estadual Ernesto Carneiro Ribeiro, e a turma de 6a série era dividida meninos de um lado, meninas do outro.
Com ajuda de Elenita Pinheiro, sua orientadora, Adriana descobriu o que estava motivando aquela atitude: enormes diferenças de interesses. A saída foi mostrar aos adolescentes o que eles estavam perdendo. Aos poucos, ela foi quebrando o gelo e incentivando a interação. As aulas se tornaram mais ricas e os jovens fizeram novas amizades. "É comum que se formem grupos, mas é preciso estar atento para impedir que eles virem grupinhos", ensina Elenita.
Mudar de comportamento e adotar uma postura comprometida com a difusão da igualdade e do respeito à diferença é mais fácil do que pode parecer à primeira vista. Basta querer. No dia-a-dia, reflita, pense, compartilhe opiniões com os colegas e os alunos. Todos só têm a ganhar. O resultado é um mundo mais rico, com jovens mais abertos e solidários. Exatamente o que se espera de um bom educador.
Para evitar que o quadro se repetisse na nova turma, a equipe pedagógica se preparou. Nas aulas de Filosofia, foram criadas dinâmicas e atividades de grupo para discutir temas relacionados ao respeito pelos outros. Com isso, a escola está proporcionando um ambiente saudável para Maurício e ensinando como é importante aceitar as diferenças.
Guacira Lopes Louro, doutora em Educação e autora de vários livros sobre relações de gênero, diz que é preciso que essas situações sejam encaradas sem medo. Ela explica que a intolerância se manifesta de diferentes formas: na linguagem usada em sala, nas piadas e no deboche. O silêncio e a não-interferência, porém, podem ser ainda piores. "Aceitar passivamente que um garoto que se nega a entrar numa briga seja chamado de bicha é alimentar preconceitos", ensina. "Estamos agindo como se fosse natural que os homens resolvam divergências por meio da disputa física."
Perceber que essa diferenciação existe nem sempre é fácil. Vivemos num tempo de grandes mudanças comportamentais e muitos avanços nas relações sociais. Turmas separadas por sexo são coisa do passado. Mas o que fazer quando os próprios alunos promovem uma separação por sexo? Em Feira de Santana, a professora Adriana Estrela Santos enfrentou, há três anos, uma situação dessas. Ela começava um estágio, no Colégio Estadual Ernesto Carneiro Ribeiro, e a turma de 6a série era dividida meninos de um lado, meninas do outro.
Com ajuda de Elenita Pinheiro, sua orientadora, Adriana descobriu o que estava motivando aquela atitude: enormes diferenças de interesses. A saída foi mostrar aos adolescentes o que eles estavam perdendo. Aos poucos, ela foi quebrando o gelo e incentivando a interação. As aulas se tornaram mais ricas e os jovens fizeram novas amizades. "É comum que se formem grupos, mas é preciso estar atento para impedir que eles virem grupinhos", ensina Elenita.
Mudar de comportamento e adotar uma postura comprometida com a difusão da igualdade e do respeito à diferença é mais fácil do que pode parecer à primeira vista. Basta querer. No dia-a-dia, reflita, pense, compartilhe opiniões com os colegas e os alunos. Todos só têm a ganhar. O resultado é um mundo mais rico, com jovens mais abertos e solidários. Exatamente o que se espera de um bom educador.
Autoavaliação: eu estimulo a igualdade?
As perguntas a seguir, preparadas pelo Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero, ajudam a avaliar como cada um de nós se comporta. Leia e pense: "Como eu reajo diante das situações citadas?" Registra suas respostas e mantenha a lista num lugar visível para que você reflita constantemente sobre suas atitudes.
- Eu peço que meninos e meninas executem tarefas cotidianas em sala de aula, tais como abrir janelas, decorar as paredes ou operar um equipamento?
- Eu intervenho quando as meninas, ao trabalhar em grupo com os meninos, são relegadas a cargos estereotipados?
- Eu incentivo meninas e meninos a praticar esportes, mas respeito quem não gosta?
- Eu compreendo que o preconceito de gênero não é um problema individual, mas de toda a sociedade?
- Eu aceito críticas a respeito do meu comportamento?
- Quando os alunos fazem piadas sexistas ou racistas, explico por que não são corretas?
- Eu procuro não fazer comentários e piadas sexistas?
- Na decoração da minha sala de aula uso imagens masculinas e femininas?
- Eu faço as mesmas perguntas aos meninos e às meninas?
- Eu uso o mesmo tom de voz com todos, independentemente do sexo?
- Eu desencorajo a competição entre os sexos?
- Eu destaco o sucesso de mulheres tanto quanto o de homens?
- Eu promovo a leitura de textos escritos por mulheres?
- Eu peço que meninos e meninas executem tarefas cotidianas em sala de aula, tais como abrir janelas, decorar as paredes ou operar um equipamento?
- Eu intervenho quando as meninas, ao trabalhar em grupo com os meninos, são relegadas a cargos estereotipados?
- Eu incentivo meninas e meninos a praticar esportes, mas respeito quem não gosta?
- Eu compreendo que o preconceito de gênero não é um problema individual, mas de toda a sociedade?
- Eu aceito críticas a respeito do meu comportamento?
- Quando os alunos fazem piadas sexistas ou racistas, explico por que não são corretas?
- Eu procuro não fazer comentários e piadas sexistas?
- Na decoração da minha sala de aula uso imagens masculinas e femininas?
- Eu faço as mesmas perguntas aos meninos e às meninas?
- Eu uso o mesmo tom de voz com todos, independentemente do sexo?
- Eu desencorajo a competição entre os sexos?
- Eu destaco o sucesso de mulheres tanto quanto o de homens?
- Eu promovo a leitura de textos escritos por mulheres?
Luciana Zenti
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/coisa-menino-coisa-menina-sera-431455.shtml?page=5. Acessado em 22 de março de 2011.
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