quarta-feira, 30 de março de 2011

24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão

1. Como ter certeza de que um aluno com deficiência está apto a frequentar a escola?
Aos olhos da lei, essa questão não existe - todos têm esse direito. Só em alguns casos é necessária uma autorização dos profissionais de saúde que atendem essa criança. É dever do estado oferecer ainda uma pessoa para ajudar a cuidar desse aluno e todos os equipamentos específicos necessários. "Cabe ao gestor oferecer as condições adequadas conforme a realidade de sua escola", explica Daniela Alonso, psicopedagoga especializada em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

2. As turmas que têm alunos com deficiência devem ser menores?
Sim, pois grupos pequenos (com ou sem alunos de inclusão) favorecem a aprendizagem. Em classes numerosas, os professores encontram mais dificuldade para flexibilizar as atividades e perceber as necessidades e habilidades de cada um.

3. Quantos alunos com deficiência podem ser colocados na mesma sala?
Não há uma regra em relação a isso, mas em geral existem dois ou, em alguns casos, três por sala. Vale lembrar que a proporção de pessoas com deficiência é de 8 a 10% do total da população.

4. Para torna a escola inclusiva, o que compete às diversas esferas de governo?
"O governo federal presta assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o acesso dos alunos e a formação de professores", explica Claudia Pereira Dutra, secretária de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Os gestores estaduais e municipais organizam sistemas de ensino voltados à diversidade, firmam e fiscalizam parcerias com instituições especializadas e administram os recursos que vêm do governo federal.
5. Quem tem deficiência aprende mesmo?
Sem dúvida. Sempre há avanços, seja qual for a deficiência. Surdos e cegos, por exemplo, podem desenvolver a linguagem e o pensamento conceitual. Crianças com deficiência mental podem ter mais dificuldade para se alfabetizar, mas adquirem a postura de estudante, conhecendo e incorporando regras sociais e desenvolvendo habilidades como a oralidade e o reconhecimento de sinais gráficos. "É importante entender que a escola não deve, necessariamente, determinar o que e quando esse aluno vai aprender. Nesses casos, o gestor precisa rever a relação entre currículo, tempo e espaço", afirma Daniela Alonso.

6. Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) e o currículo da escola?
Sim. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para contemplar as diversas necessidades.

7. Em que turma o aluno com deficiência deve ser matriculado?
Junto com as crianças da mesma idade. "As deficiências física, visual e auditiva não costumam representar um problema, pois em geral permitem que o estudante acompanhe o ritmo da turma. Já os que têm deficiência intelectual ou múltipla exigem que o gestor consulte profissionais especializados ao tomar essa decisão", diz Daniela Alonso. Um aluno com síndrome de Down, por exemplo, pode se beneficiar ficando com um grupo de idade inferior à dele (no máximo, três anos de diferença). Mas essa decisão tem de ser tomada caso a caso.

8. Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
Não, ao contrário. Hoje, sabe-se que todos aprendem de forma diferente e que uma atenção individual do professor a determinado estudante não prejudica o grupo. Daí a necessidade de atender às necessidades de todos, contemplar as diversas habilidades e não valorizar a homogeneidade e a competição.

9. Como os alunos de inclusão devem ser avaliados?
De acordo com os próprios avanços e nunca mediante critérios comparativos. Esse é o modelo adotado na EM Valentim João da Rocha, em Joinville, a 174 quilômetros de Florianópolis (leia mais no quadro abaixo). "Os professores devem receber formação para observar e considerar o desenvolvimento individual, mesmo que ele fuja dos critérios previstos para o resto do grupo", explica Rossana Ramos, professora da Universidade de Pernambuco (UPE). Quando o estudante acompanha o ritmo da turma, basta fazer as adaptações, como uma prova em braile para os cegos.

10. A nota da escola nas avaliações externas cai quando ela tem estudantes com deficiência?
Em princípio, não. Porém há certa polêmica em relação aos casos de deficiência intelectual. O MEC afirma que não há impacto significativo na nota. Já os especialistas dizem o contrário. Professores costumam reclamar disso quando o desempenho da escola tem impacto em bônus ou aumento salarial. "O ideal seria ter provas adaptadas dentro da escola ou, ao menos, uma monitoria para que os alunos pudessem realizá-las. Tudo isso, é claro, com a devida regulamentação governamental", defende Daniela Alonso. Enquanto isso não acontece, cabe aos gestores debater essas questões com a equipe e levá-las à Secretaria de Educação.
11. É possível solicitar o apoio de pessoal especializado?
Mais do que possível, é necessário. O aluno tem direito à Educação regular em seu turno e ao atendimento especializado no contraturno, responsabilidade que não compete ao professor de sala. Para tanto, o gestor pode buscar informações na Secretaria de Educação Especial do MEC, na Secretaria de Educação local e em organizações não governamentais, associações e universidades. Além do atendimento especializado, alunos com deficiência têm direito a um cuidador, que deve participar das reuniões sobre o acompanhamento da aprendizagem, como na EMEF Luiza Silvina Jardim Rebuzzi, em Aracruz, a 79 quilômetros de Vitória (leia mais no quadro abaixo).

12. Como integrar o trabalho do professor ao do especialista?
Disponibilizando tempo e espaço para que eles se encontrem e compartilhem informações. Essa integração é fundamental para o processo de inclusão e cabe ao diretor e ao coordenador pedagógico garantir que ela ocorra nos horários de trabalho pedagógico coletivo.

13. Como lidar com as inseguranças dos professores?
Promovendo encontros de formação e discussões em que sejam apresentadas as novas concepções sobre a inclusão (que falam, sobretudo, das possibilidades de aprendizagem). "O contato com teorias e práticas pedagógicas transforma o posicionamento do professor em relação à Educação inclusiva", diz Rossana Ramos. Nesses encontros, não devem ser discutidas apenas características das deficiências. "Apostamos pouco na capacidade desses alunos porque gastamos muito tempo tentando entender o que eles têm, em vez de conhecer as experiências pelas quais já passaram", afirma Luiza Russo, presidente do Instituto Paradigma, de São Paulo.

14. Como preparar os funcionários para lidar com a inclusão?
Formação na própria escola é a solução, em encontros que permitam que eles exponham dificuldades e tirem dúvidas. "Esse diálogo é uma maneira de mudar a forma de ver a questão: em vez de atender essas crianças por boa vontade, é importante mostrar que essa demanda exige a dedicação de todos os profissionais da escola", diz Liliane Garcez, da comissão executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e coordenadora de pós-graduação de Inclusão no Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (Cevec). É possível também oferecer uma orientação individual e ficar atento às ofertas de formação das Secretarias de Educação.
15. Como trabalhar com os alunos a chegada de colegas de inclusão?
Em casos de deficiências mais complexas, é recomendável orientar professores e funcionários a conversar com as turmas sobre as mudanças que estão por vir, como a colocação de uma carteira adaptada na classe ou a presença de um intérprete durante as aulas. Quando a inclusão está incorporada ao dia a dia da escola, esses procedimentos se tornam menos necessários.

16. O que fazer quando o aluno com deficiência é agressivo?
A equipe gestora deve investigar a origem do problema junto aos professores e aos profissionais que acompanham esse estudante. "Pode ser que o planejamento não esteja contemplando a participação dele nas atividades", afirma Daniela Alonso. Nesse caso, cabe ao gestor rever com a equipe a proposta de inclusão. Se a questão envolve reclamações de pais de alunos que tenham sido vítimas de agressão, o ideal é convidar as famílias para uma conversa.

17. O que fazer quando a criança com deficiência é alvo de bullying?
É preciso elaborar um projeto institucional para envolver os alunos e a comunidade e reforçar o trabalho de formação de valores.

18. Os pais precisam ser avisados que há um aluno com deficiência na mesma turma de seu filho?
Não necessariamente. O importante é contar às famílias, no ato da matrícula, que o PPP da escola contempla a diversidade. A exceção são os alunos com quadro mais severo - nesses casos, a inclusão dá mais resultado se as famílias são informadas em encontros com professores e gestores. "Isso porque as crianças passam a levar informações para casa, como a de que o colega usa fralda ou baba. E, em vez de se alarmar, os pais poderão dialogar", diz Daniela Alonso.

19. Como lidar com a resistência dos pais de alunos sem deficiência?
O argumento mais forte é o da lei, que prevê a matrícula de alunos com deficiência em escolas regulares. Outro caminho é apresentar a nova concepção educacional que fundamenta e explica a inclusão como um processo de mão dupla, em que todos, com deficiência ou não, aprendem pela interação e diversidade.

20. Uma criança com deficiência mora na vizinhança, mas não vai à escola. O que fazer?
Alertar a família de que a matrícula é obrigatória. Ainda há preconceito, vergonha e insegurança por parte dos pais. Quebrar resistências exige mostrar os benefícios que a criança terá e que ela será bem cuidada. É o que faz a diretora da EM Osório Leônidas Siqueira, em Petrolina, a 765 quilômetros do Recife (leia mais no quadro abaixo). Os períodos de adaptação, em que os pais ficam na escola nos primeiros dias, também ajudam. Se houver recusa em fazer a matrícula, é preciso avisar o Conselho Tutelar e, em último caso, o Ministério Público.

21. Como preparar os vários espaços da escola?


Ao buscar informações nas Secretarias de Educação e instituições que apoiam a inclusão, cabe ao gestor perguntar sobre tudo o que está disponível. O MEC libera recursos financeiros para ações de acessibilidade física, como rampas e elevadores, sinalização tátil em paredes e no chão, corrimões, portas e corredores largos, banheiros com vasos sanitários, pias e toalheiros adaptados e carteiras, mesas e cadeiras adaptadas. É fato, porém, que há um grande descompasso entre a demanda e a disponibilização dos recursos. O processo nem sempre é rápido e exige do gestor criatividade para substituir a falta momentânea do material.

22. Há diferença entre a sala de apoio pedagógico e a de recursos?
A primeira é destinada a qualquer aluno que precise de reforço no ensino. Já a sala de recursos oferece o chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE) exclusivamente para quem tem deficiência, algum transtorno global de desenvolvimento ou altas habilidades.

23. É preciso ter uma sala de recursos dentro da própria escola?
Se possível, sim. A lei diz que, no turno regular, o aluno com deficiência deve assistir às aulas na classe comum e, no contraturno, receber o AEE preferencialmente na escola. Existem duas opções para montar uma sala de recursos: a multifuncional (que o MEC disponibiliza) tem equipamentos para todas as deficiências e a específica (modelo usado por algumas Secretarias) atende a determinado tipo de deficiência. Enquanto a sala não for implantada, o gestor deve procurar trabalhar em parceria com o atendimento especializado presente na cidade e fazer acordos com centros de referência - como associações, universidades, ONGs e instituições conveniadas ao governo.

24. Como requisitar material pedagógico adaptado para a escola?
Áudio-livros, jogos, computadores, livros em braile e mobiliário podem ser requisitados à Secretaria de Educação local e ao MEC. "Para isso, é preciso que a Secretaria de Educação apresente ao MEC um Plano de Ações Articuladas", explica Claudia Dutra.



terça-feira, 22 de março de 2011

Coisa de menino. Coisa de menina. Será?

Mesmo sem perceber, você pode estar tratando alunas e alunos de forma diferenciada. Veja aqui como evitar estereótipos.

Meninos são bagunceiros, gostam das aulas de Matemática e se dão melhor nos esportes. Meninas são organizadas, se destacam em Língua Portuguesa e Arte e têm mais disciplina. Quantas vezes você já não ouviu, disse ou pensou uma dessas frases? Várias, certo? Mas será que é isso mesmo? Esses conceitos, tão comuns em nosso cotidiano, expressam, na verdade, estereótipos sobre masculinidade e feminilidade. São heranças culturais transmitidas pela sociedade (família, amigos, professores). O que não quer dizer que seja a verdade absoluta. Ao contrário.
A natureza não determina que as moças devem lavar a louça e os rapazes, o carro. Nem que elas têm o direito de chorar em público e eles não. E na escola? Só as garotinhas podem manter os cadernos arrumados, com a letra impecável? Idéias assim não passam de estereótipos. Tratá-las como verdades imutáveis, ainda mais num local onde jovens personalidades estão apenas começando a se formar, pode ser um erro com uma conseqüência nefasta: a difusão de preconceitos. Ao reproduzir modelos, você pode, sem querer, estar podando habilidades, tolhendo talentos.

As diferenças entre os papéis atribuídos a homens e mulheres são estudadas há pelo menos 20 anos e conhecidas como relações de gênero ou gênero. "É essencial analisar os relacionamentos e o viver", explica Rosa Ester Rossini, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da Universidade de São Paulo (USP).

Infelizmente, ainda são poucos os colegas que discutem o assunto na sala dos professores e em classe. Os problemas, muitas vezes, começam na dificuldade de perceber (e avaliar) a própria postura. Em casa, na nossa família, os modelos são apresentados como prontos. "E precisamos acordar para a necessidade de discuti-los diariamente", diz Elenita Pinheiro de Queiroz Silva, mestranda em Educação e Gênero pela Universidade Federal da Bahia.

Todos somos diferentes

Muitos alunos continuarão chegando à sala de aula com idéias preestabelecidas, como o pai deve ser forte e a mãe, meiga e delicada. É aqui que você entra em cena. "A educação trazida de casa promove uma série de valores, mas nem sempre eles apontam para o melhor caminho", defende Yara Sayão, do Serviço de Psicologia Escolar da USP. "Se não fizermos nada, não daremos oportunidade para que as habilidades individuais apareçam."
Trabalhar relações sociais é mostrar que as pessoas são diferentes, que as culturas são diferentes, que a realidade do campo e da cidade é diferente, que o mundo é diferente... Na Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP, docentes e orientadores pedagógicos conseguiram transformar os pais em aliados e criar espaços de integração. Nas reuniões, o corpo docente incentiva as famílias a definir tarefas extraclasse para os alunos: comprar pão todos os dias, alimentar o cachorro, arrumar a cama, lavar a louça. Assim, a criança começa a entender que também é responsável pelo lugar onde vive e que pode desempenhar diferentes papéis. O trabalho prossegue no colégio. Nas aulas de Educação Física, todos realizam as atividades juntos. Pode ser um jogo de futebol com times mistos ou um ensaio de uma dança popular.

A chefe da família 
O ideal é desenvolver atividades nas várias áreas, mas é possível trabalhar isoladamente, em cada disciplina. Patrícia* leciona História na rede estadual de Feira de Santana, interior da Bahia, e para falar de relações de gênero em sala de aula, usa o próprio exemplo. Ela é a chefe da família. Realidade cada vez mais comum no Brasil de hoje, a professora há 24 anos sustenta a casa com seu salário. O marido está desempregado e, obviamente, lava e passa roupa, cozinha, varre o chão tarefas historicamente tidas como femininas. Em classe, ela discute o papel do feminismo e a importância da mulher na família e no mundo. "Comparamos as sociedades antigas com a realidade de hoje", conta.

A professora só freqüentou a Faculdade de Estudos Sociais depois de casada. Recebia o crédito educativo e conciliava dois empregos para pagar as contas. Prestes a se aposentar, ela não esconde o orgulho de ter conseguido criar os cinco filhos com o próprio dinheiro as três moças, inclusive, chegaram à universidade. Apesar de não haver nada de errado com essa situação, o preconceito ainda fala mais alto. Patrícia é um nome fictício, pois ela não quer ser identificada.

Quando se fala em diferenciação entre sexos, isso não significa que os meninos estejam sempre em vantagem. Eles também são discriminados. Principalmente nas séries iniciais, em que letra bonita e caderno caprichado são sinônimos de bom aluno ou, na opinião de muitos professores, de boa aluna. Em geral, essas características são mais comuns às meninas e os pequenos acabam rotulados de desorganizados. Se tentam caprichar no caderno, o julgamento pode até piorar. Tudo porque falta preparo para enfrentar situações que fogem aos modelos tradicionais.

O que fazer quando o garoto insiste em participar da roda delas, ou quando ela não se encaixa no rótulo de bonequinha? "Todos devem ser livres para entrar no grupo preferido e jogar o que quiserem", explica Rosa Rossini. Em outras palavras: menino brincando de boneca? Pode, é claro. Menina que quer ser o pai na dramatização? Também pode. É bobagem imaginar que isso venha a determinar uma opção sexual no futuro. Na verdade, só estimula a compreensão de que papéis de gênero são mutáveis.

Respeito pelos outros 
Veja o que aconteceu num colégio de Belo Horizonte. Maurício*, aluno do Ensino Fundamental, era acusado de homossexual pelos colegas porque estava sempre no grupo das garotas. A pressão era tanta que ele se isolou. Preocupados, os pais procuraram um psicólogo, que sugeriu a transferência de turno o que foi feito no início deste ano.

Para evitar que o quadro se repetisse na nova turma, a equipe pedagógica se preparou. Nas aulas de Filosofia, foram criadas dinâmicas e atividades de grupo para discutir temas relacionados ao respeito pelos outros. Com isso, a escola está proporcionando um ambiente saudável para Maurício e ensinando como é importante aceitar as diferenças.

Guacira Lopes Louro, doutora em Educação e autora de vários livros sobre relações de gênero, diz que é preciso que essas situações sejam encaradas sem medo. Ela explica que a intolerância se manifesta de diferentes formas: na linguagem usada em sala, nas piadas e no deboche. O silêncio e a não-interferência, porém, podem ser ainda piores. "Aceitar passivamente que um garoto que se nega a entrar numa briga seja chamado de bicha é alimentar preconceitos", ensina. "Estamos agindo como se fosse natural que os homens resolvam divergências por meio da disputa física."

Perceber que essa diferenciação existe nem sempre é fácil. Vivemos num tempo de grandes mudanças comportamentais e muitos avanços nas relações sociais. Turmas separadas por sexo são coisa do passado. Mas o que fazer quando os próprios alunos promovem uma separação por sexo? Em Feira de Santana, a professora Adriana Estrela Santos enfrentou, há três anos, uma situação dessas. Ela começava um estágio, no Colégio Estadual Ernesto Carneiro Ribeiro, e a turma de 6a série era dividida meninos de um lado, meninas do outro.

Com ajuda de Elenita Pinheiro, sua orientadora, Adriana descobriu o que estava motivando aquela atitude: enormes diferenças de interesses. A saída foi mostrar aos adolescentes o que eles estavam perdendo. Aos poucos, ela foi quebrando o gelo e incentivando a interação. As aulas se tornaram mais ricas e os jovens fizeram novas amizades. "É comum que se formem grupos, mas é preciso estar atento para impedir que eles virem grupinhos", ensina Elenita.

Mudar de comportamento e adotar uma postura comprometida com a difusão da igualdade e do respeito à diferença é mais fácil do que pode parecer à primeira vista. Basta querer. No dia-a-dia, reflita, pense, compartilhe opiniões com os colegas e os alunos. Todos só têm a ganhar. O resultado é um mundo mais rico, com jovens mais abertos e solidários. Exatamente o que se espera de um bom educador.


Autoavaliação: eu estimulo a igualdade? 
As perguntas a seguir, preparadas pelo Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero, ajudam a avaliar como cada um de nós se comporta. Leia e pense: "Como eu reajo diante das situações citadas?" Registra suas respostas e mantenha a lista num lugar visível para que você reflita constantemente sobre suas atitudes.

- Eu peço que meninos e meninas executem tarefas cotidianas em sala de aula, tais como abrir janelas, decorar as paredes ou operar um equipamento?

- Eu intervenho quando as meninas, ao trabalhar em grupo com os meninos, são relegadas a cargos estereotipados?

- Eu incentivo meninas e meninos a praticar esportes, mas respeito quem não gosta?

- Eu compreendo que o preconceito de gênero não é um problema individual, mas de toda a sociedade?

- Eu aceito críticas a respeito do meu comportamento?

- Quando os alunos fazem piadas sexistas ou racistas, explico por que não são corretas?

- Eu procuro não fazer comentários e piadas sexistas?

- Na decoração da minha sala de aula uso imagens masculinas e femininas?

- Eu faço as mesmas perguntas aos meninos e às meninas?

- Eu uso o mesmo tom de voz com todos, independentemente do sexo?

- Eu desencorajo a competição entre os sexos?

- Eu destaco o sucesso de mulheres tanto quanto o de homens?

- Eu promovo a leitura de textos escritos por mulheres?


Luciana Zenti


Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/coisa-menino-coisa-menina-sera-431455.shtml?page=5. Acessado em 22 de março de 2011.

quinta-feira, 17 de março de 2011

BULLYING

21 perguntas e respostas sobre bullying

Quem já não foi chamado por um apelido que não gostava, já sofreu agressões intencionais verbais ou físicas na escola, na rua, clube? Estas agressões se trata de bullying. Segundo uma reportagem da Revista Nova Escola  o termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. 
A Revista Nova Escola também trouxe 21 perguntas e respostas sobre bullying:

1. O que é bullying?

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

"É uma das formas de violência que mais cresce no mundo", afirma Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus, tel. (19) 4009-6868 ). Segundo a especialista, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

2. O que não é bullying?

Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying. Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying. 
Para Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para ser dada como bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. ''Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora, desmotivando a ação do autor'', explica a especialista.

3. O bullying é um fenômeno recente?

Não. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.
A popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores. "O fato de ter consequências trágicas - como mortes e suicídios - e a impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema", aponta Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (164 págs., Thesaurus Editora)

4. O que leva o autor do bullying a praticá-lo?

Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. Isso tudo leva o autor do bullying a atingir o colega com repetidas humilhações ou depreciações. É uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela vítima.
''O autor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar na qual tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz isso no ambiente escolar'', explica o médico pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia).
Sozinha, a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um praticante de bullying. "A tendência é que ele seja assim por toda a vida, a menos que seja tratado", diz.

5. O espectador também participa do bullying?

Sim. O espectador é um personagem fundamental no bullying. É comum pensar que há apenas dois envolvidos no conflito: o autor e o alvo. Mas os especialistas alertam para um terceiro personagem responsável pela continuidade do conflito.
O espectador típico é uma testemunha dos fatos, pois não sai em defesa da vítima nem se junta aos autores. Quando recebe uma mensagem, não repassa. Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser alvo de ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido.

Os que atuam como plateia ativa ou como torcida, reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo também são considerados espectadores. Eles retransmitem imagens ou fofocas. Geralmente, estão acostumados com a prática, encarando-a como natural dentro do ambiente escolar. ''O espectador se fecha aos relacionamentos, se exclui porque ele acha que pode sofrer também no futuro.
Se for pela internet, por exemplo, ele apenas repassa a informação. Mas isso o torna um coautor'', explica a pesquisadora Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus).

6. Como identificar o alvo do bullying?

O alvo costuma ser uma criança com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto no lar. ''Por essas características, é difícil esse jovem conseguir reagir'', afirma o pediatra Lauro Monteiro Filho. Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno procura ajuda, a tendência é que a provocação cesse.

Além dos traços psicológicos, os alvos desse tipo de violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos.
"Também pode ocorrer com um novato ou com uma menina bonita, que acaba sendo perseguida pelas colegas", exemplifica Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (164 págs., Thesaurus Editora)

7. Quais são as consequências para o aluno que é alvo de bullying?

O aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento.
Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas.

As vítimas chegam a concordar com a agressão, de acordo com Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp). O discurso deles segue no seguinte sentido: "Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?"
Aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando percebem que seus agressores ficaram impunes, os alvos podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

8. O que é pior: o bullying com agressão física ou o bullying com agressão moral?

Ambas as agressões são graves e têm danos nocivos ao alvo do bullying. Por ter consequências imediatas e facilmente visíveis, a violência física muitas vezes é considerada mais grave do que um xingamento ou uma fofoca.
''A dificuldade que a escola encontra é justamente porque o professor também vê uma blusa rasgada ou um material furtado como algo concreto. Não percebe que a uma exclusão, por exemplo, é tão dolorida quanto ou até mais'', explica Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os jovens também podem repetir esse mesmo raciocínio e a escola deve permanecer alerta aos comportamentos moralmente abusivos.

9. Existe diferença entre o bullying praticado por meninos e por meninas?

De modo geral, sim. As ações dos meninos são mais expansivas e agressivas, portanto, mais fáceis de identificar. Eles chutam, gritam, empurram, batem.
Já no universo feminino o problema se apresenta de forma mais velada. As manifestações entre elas podem ser fofocas, boatos, olhares, sussurros, exclusão. "As garotas raramente dizem por que fazem isso. Quem sofre não sabe o motivo e se sente culpada", explica a pesquisadora norte-americana Rachel Simmons, especialista em bullying feminino.
Ela conta que as meninas agem dessa maneira porque a expectativa da sociedade é de que sejam boazinhas, dóceis e sempre passivas. Para demonstrar qualquer sentimento contrário, elas utilizam meios mais discretos, mas não menos prejudiciais. "É preciso reconhecer que as garotas também sentem raiva. A agressividade é natural no ser humano, mas elas são forçadas a encontrar outros meios - além dos físicos - para se expressar", diz Rachel.

10. O que fazer em sala de aula quando se identifica um caso de bullying?

Ao surgir uma situação em sala, a intervenção deve ser imediata. "Se algo ocorre e o professor se omite ou até mesmo dá uma risadinha por causa de uma piada ou de um comentário, vai pelo caminho errado. Ele deve ser o primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo", diz Aramis Lopes Neto, presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
O professor pode identificar os atores do bullying: autores, espectadores e alvos. Claro que existem as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. Mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. "Isso não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?", orienta o pediatra Lauro Monteiro Filho.
Veja os conselhos dos especialistas Cléo Fante e José Augusto Pedra, autores do livro Bullying Escolar (132 págs., Ed. Artmed, tel; 0800 703 3444):
- Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito;
- Desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos;
- Quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar imediatamente a direção da escola.

11. Qual o papel do professor em conflitos fora da sala de aula?

O professor é um exemplo fundamental de pessoa que não resolve conflitos com a violência. Não adianta, porém, pensar que o bullying só é problema dos educadores quando ocorre do portão para dentro. É papel da escola construir uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas.
''Deve-se conscientizar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões fora do ambiente escolar, como na internet, por exemplo'', explica Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação ''As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral'', da Universidade de Franca (Unifran).
''A intervenção da escola também precisa chegar ao espectador, o agente que aplaude a ação do autor é fundamental para a ocorrência da agressão'', complementa a especialista.

12. O professor também é alvo de bullying?

Conceitualmente, não, pois, para ser considerada bullying, é necessário que a violência ocorra entre pares, como colegas de classe ou de trabalho. O professor pode, então, sofrer outros tipos de agressão, como injúria ou difamação ou até física, por parte de um ou mais alunos.

Mesmo não sendo entendida como bullying, trata-se de uma situação que exige a reflexão sobre o convívio entre membros da comunidade escolar. Quando as agressões ocorrem, o problema está na escola como um todo. Em uma reunião com todos os educadores, pode-se descobrir se a violência está acontecendo com outras pessoas da equipe para intervir e restabelecer as noções de respeito.

Se for uma questão pontual, com um professor apenas, é necessário refletir sobre a relação entre o docente e o aluno ou a classe. ''O jovem que faz esse tipo de coisa normalmente quer expor uma relação com o professor que não está bem. Existem comunidades na internet, por exemplo, que homenageiam os docentes. Então, se o aluno se sente respeitado pelo professor, qual o motivo de agredi-lo?'', questiona Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação “As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral”, da Universidade de Franca (Unifran).

O professor é uma autoridade na sala de aula, mas essa autoridade só é legitimada com o reconhecimento dos alunos em uma relação de respeito mútua. ''O jovem está em processo de formação e o educador é o adulto do conflito e precisa reagir com dignidade'', afirma Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Unicamp.

13. O que fazer para evitar o bullying?

A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:
- Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões;
- Estimular os estudantes a informar os casos;
- Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;
- Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar;
- Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
- Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.
Todo ambiente escolar pode apresentar esse problema. "A escola que afirma não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua existência", diz o pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). O primeiro passo é admitir que a escola é um local passível de bullying. Deve-se também informar professores e alunos sobre o que é o problema e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática.

"A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir contra o bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre estudantes e na sociedade", afirma o pediatra.

14. Como agir com os alunos envolvidos em um caso de bullying?

O foco deve se voltar para a recuperação de valores essenciais, como o respeito pelo que o alvo sentiu ao sofrer a violência. A escola não pode legitimar a atuação do autor da agressão nem humilhá-lo ou puni-lo com medidas não relacionadas ao mal causado, como proibi-lo de frequentar o intervalo.

Já o alvo precisa ter a autoestima fortalecida e sentir que está em um lugar seguro para falar sobre o ocorrido. "Às vezes, quando o aluno resolve conversar, não recebe a atenção necessária, pois a escola não acha o problema grave e deixa passar", alerta Aramis Lopes, presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Ainda é preciso conscientizar o espectador do bullying, que endossa a ação do autor. ''Trazer para a aula situações hipotéticas, como realizar atividades com trocas de papéis,  são ações que ajudam a conscientizar toda a turma.
A exibição de filmes que retratam o bullying, como ''As melhores coisas do mundo'' (Brasil, 2010), da cineasta Laís Bodanzky, também ajudam no trabalho. A partir do momento em que a escola fala com quem assiste à violência, ele para de aplaudir e o autor perde sua fama'', explica Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação ''As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral'', da Universidade de Franca (Unifran).

15. Como lidar com o bullying contra alunos com deficiência?

Conversar abertamente sobre a deficiência é uma ação que deve ser cotidiana na escola. O bullying contra esse público costuma ser estimulado pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido de casa. 

De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao educador estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento.

Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. A violência começa em tirar do aluno com deficiência o direito de ser um participante do processo de aprendizagem. É tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para que todos, especialmente os que têm deficiência, se desenvolvam. Com respeito e harmonia.

16. Como deve ser uma conversa com os pais dos alunos envolvidos no bullying?

É preciso mediar a conversa e evitar o tom de acusação de ambos os lados. Esse tipo de abordagem não mostra como o outro se sente ao sofrer bullying. Deve ser sinalizado aos pais que alguns comentários simples, que julgam inofensivos e divertidos, são carregados de ideias preconceituosas.
''O ideal é que a questão da reparação da violência passe por um acordo conjunto entre os envolvidos, no qual todos consigam enxergar em que ponto o alvo foi agredido para, assim, restaurar a relação de respeito'' explica Telma Vinha, professora do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Muitas vezes, a escola trata de forma inadequada os casos relatados por pais e alunos, responsabilizando a família pelo problema. É papel dos educadores sempre dialogar com os pais sobre os conflitos - seja o filho alvo ou autor do bullying, pois ambos precisam de ajuda e apoio psicológico.

17. O que fazer em casos extremos de bullying?

A primeira ação deve ser mostrar aos envolvidos que a escola não tolera determinado tipo de conduta e por quê. Nesse encontro, deve-se abordar a questão da tolerância ao diferente e do respeito por todos, inclusive com os pais dos alunos envolvidos.

Mais agressões ou ações impulsivas entre os envolvidos podem ser evitadas com espaços para diálogo. Uma conversa individual com cada um funciona como um desabafo e é função do educador mostrar que ninguém está desamparado.
''Os alunos e os pais têm a sensação de impotência e a escola não pode deixá-los abandonados. É mais fácil responsabilizar a família, mas isso não contribui para a resolução de um conflito'', diz Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A especialista também aponta que a conversa em conjunto, com todos os envolvidos, não pode ser feita em tom de acusação. ''Deve-se pensar em maneiras de mostrar como o alvo do bullying se sente com a agressão e chegar a um acordo em conjunto. E, depois de alguns dias, vale perguntar novamente como está a relação entre os envolvidos'', explica Telma.

É também essencial que o trabalho de conscientização seja feito também com os espectadores do bullying, aqueles que endossam a agressão e os que a assistem passivamente. Sem que a plateia entenda quão nociva a violência pode ser, ela se repetirá em outras ocasiões.

18. Bullying na Educação Infantil. É possível?

Sim, se houver a intenção de ferir ou humilhar o colega repetidas vezes. Entre as crianças menores, é comum que as brigas estejam relacionadas às disputas de território, de posse ou de atenção - o que não caracteriza o bullying. No entanto, por exemplo, se uma criança apresentar alguma particularidade, como não conseguir segurar o xixi, e os colegas a segregarem por isso ou darem apelidos para ofendê-la constantemente, trata-se de um caso de bullying.
"Há estudos na Psicologia que afirmam que, por volta dos dois anos de idade, há uma primeira tomada de consciência de 'quem eu sou', separada de outros objetos, como a mãe.
E perto dos 3 anos, as crianças começam a se identificar como um indivíduo diferente do outro, sendo possível que uma criança seja alvo ou vítima de bullying. Essa conduta, porém, será mais frequentes num momento em que houver uma maior relação entre pares, mais cotidiana e estabelecida com os outros'', explica Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral”, da Universidade de Franca (Unifran).

19. Quais são as especificidades para lidar com o bullying na Educação Infantil?

Para evitar o bullying, é preciso que a escola valide os princípios de respeito desde cedo. É comum que as crianças menores briguem com o argumento de não gostar uns dos outros, mas o educador precisa apontar que todos devem ser respeitados, independentemente de se dar bem ou não com uma pessoa, para que essa ideia não persista durante o desenvolvimento da criança.

Quando o bullying ocorre entre os pequenos, o educador deve ajudar o alvo da agressão a lidar com a dor trazida pelo conflito. A indignação faz com que a criança tenha alguma reação. ''Muitas vezes, o professor, em vez de mostrar como resolver a briga com uma conversa, incentiva a paz sem o senso de injustiça, pois o submisso não dá trabalho'', ressalta Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

20. O que é bullying virtual ou cyberbullying?


É o bullying que ocorre em meios eletrônicos, com  mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), redes sociais e celulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara a cara.
Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças e os efeitos podem ser tão graves ou piores. "O autor, assim como o alvo, tem dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos", explica Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp).

Esse tormento que a agressão pela internet faz com que a criança ou o adolescente humilhado não se sinta mais seguro em lugar algum, em momento algum. Marcelo Coutinho, especialista no tema e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que esses estudantes não percebem as armadilhas dos relacionamentos digitais. "Para eles, é tudo real, como se fosse do jeito tradicional, tanto para fazer amigos como para comprar, aprender ou combinar um passeio."

21. Como lidar com o cyberbullying?

Mesmo virtual, o cyberbulling precisa receber o mesmo cuidado preventivo do bullying e a dimensão dos seus efeitos deve sempre ser abordada para se evitar a agressão na internet. Trabalhar com a ideia de que nem sempre se consegue tirar do ar aquilo que foi para a rede dá à turma a noção de como as piadas ou as provocações não são inofensivas. ''O que chamam de brincadeira pode destruir a vida do outro. É também responsabilidade da escola abrir espaço para se discutir o fenômeno'', afirma Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Caso o bullying ocorra, é preciso deixar evidente para crianças e adolescentes que eles podem confiar nos adultos que os cercam para contar sobre os casos sem medo de represálias, como a proibição de redes sociais ou celulares, uma vez que terão a certeza de que vão encontrar ajuda. ''Mas, muitas vezes, as crianças não recorrem aos adultos porque acham que o problema só vai piorar com a intervenção punitiva'', explica a especialista.
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/bullying-escola-494973.shtml. Acessado em 17/mar/2011

sábado, 12 de março de 2011

Educação Quilombola

Imagem disponível em: http://raizafricana.wordpress.com/page/5/


Na história da escrivadão no Brasil, os Quilombos são as maiores expressões de resistência ao sistema escravista atuante da época. Os Quilombos se formaram por meio dos africanos e dos filhos destes, escravizados  no Brasil.
Quilombo é um movimento amplo e permanente que se caracteriza pelas seguintes dimensões: vivência de povos africanos que se recusavam à submissão, à exploração, à violência do sistema colonial e do escravismo; formas associativas que se criavam em florestas de difícil acesso, com defesa e organização sócio-econômico-política própria; sustentação da continuidade africana através de genuínos grupos de resistência política e cultural. Foi a maior representação de luta organizada na época.
A educação quilombola surgiu, segundo Paola Gentile da revista Nova Escola, a partir de uma carta que um pai kalunga morador remanescente de um quilombola de Góais enviou ao MEC no ano de 1997 pedindo que fosse construída uma escola em sua comunidade para que seus filhos pudessem ser alfabetizados. Na época o MEC não tinha nenhum departamentto destinado a tratar de assuntos como este e então enviou uma de suas funcionárias para visitar a comunidade. Maria Auxliadora Lopes iniciou esta tarefa e hoje cuida especificamente da Educação Quilombola. (Nova Escola - Edição 165 - 09/2003).

"Eles também são o futuro do Brasil"

Sujeitos e saberes da Educação Indígena


O texto do curso Diversidade e Cidadania, Módulo 3 Unidade 3 “Sujeitos e saberes da Educação Indígena” traz outras visões que os livros didáticos não mostram, como é o caso das grandes cidades que existiram na floresta amazônica, e que a sua população (indígena), não era considerada como tal e sim como quase animais. O desrespeito com os povos indígenas começa aí, quando os consideram como quase animais. Ao invés de buscar o conhecimento que os mesmos possuíam sobre a gestão da floresta, valorizando todos os seres que lá viviam, o que aconteceu realmente foi a devastação dos recursos renováveis e não renováveis da terra, tudo submetido a lógica do lucro e da aniquilação necessária para obter-se esse lucro. Alegavam que o índio deveria se aculturar e esse processo de aculturação dos povos indígenas levou-os a perder suas identidades étnicas e posteriormente o extermínio de milhões de indígenas.
Outro ponto que também julgo ter ficado bem claro no texto, que no Brasil, não houve interesse em valorizar a cultura indígena, como nos mostra a legislação do Império e a legislação da República: a primeira permite ao índio continuar existindo, porém indefinidamente, e a segunda para o índio existir ele deve se tornar cidadão, ou seja, deixar de ser índio. Só com a Constituição de 1988, os povos indígenas são considerados uma minoria diferenciada e que devem ser respeitados na suas diferenças.
A questão da ação educativa dos índios, também mostra como a cultura indígena foi rejeitada: o que se pretendiam era projetar uma disciplina na mente e no corpo para capacitá-los a serem úteis para a pátria, submetendo-os a aquisição de conhecimentos, capacidades, valores, modelos culturais e estilos de vida que os tornassem produtivos na sociedade. Somente na década de 70 que surgiu programas para as escolas indígenas com o objetivo de transformá-la, porém ainda com uma visão eurocêntrica.Atualmente houve um progresso por conta dessa visão. Uma boa parte dos alfabetizadores em áreas indígenas são indígenas. Outro progresso foi a transformação tecnoculturais nas escolas indígenas para que suas vidas sociais possam ser registradas.
Um ponto negativo a registrar é quando os jovens indígenas vão para as escolas das cidades vizinhas estudar, deixam de lado algumas da marcas mais significativas de sua cultura, por parte das chacotas dos estudantes não índios, ocorrendo um choque cultural.
O que se espera é que os professores indígenas possam rever suas linhas de trabalho, pois cabe a eles elaborar um currículo que garanta o direito e a diversidade de sua etnia.

Educação do Campo

Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Nm877S-BkHg

Sujeitos e saberes da Educação de Jovens e Adultos

Imagem disponível em: http://www.classichitspaulista.com.br/2011/01/cursos-supletivos-recebem-inscricoes/



O texto Sujeitos e saberes da Educação de Jovens e Adultos,   apresentado no Módulo 3 Unidade 1 do Curso Diversidade e Cidadania, nos mostra como acaba por ser constrangedor, para alguns adultos, não saber saber ler e escrever. Precisar pedir ajuda, informações para executar o que achamos simples no nosso di-a-dia, porém para estas pessoas não. Em pleno século XXI são mais de 20 milhões de analfabétos absolutos e 30 milhões de analfabetos funcionais.
Ao retornarem para a escola, esses adultos se deparam com um modelo de ensino não mais como estavam acostumados: o professor detentor do saber. As cartilhas que traziam a silabação e muitos se mostram resistentes ao novo ensino.
Pessoas com mais de 15 anos - mesmo na condição de alunos - não são crianças crescidas. Da mesma forma que, no trabalho, um senhor de 50 anos não ouve do chefe "Vamos fazer um relatório bem bonitinho", ele não deve vivenciar situações como essa na escola.
O trato infantilizado é um dos motivos da evasão nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nasce com a ideia equivocada de que se deve dar ao estudante, jovem ou adulto, o que ele não teve quando criança. Por causa disso, é preciso também mudar a abordagem e, muitas vezes, o conteúdo. Trabalhar com material didático infantil sem levar em conta as expectativas de aprendizagem e os conhecimentos prévios é um equívoco com a mesma raiz.
A EJA tem de ser encarada como um atendimento específico, que pede um currículo próprio. Só assim o grupo vai aprender e tomar consciência do que está fazendo. Se o educador quiser abordar a origem do ser humano, deve tratar o tema de forma adulta, com respeito à diversidade religiosa - sem se desviar das propostas curriculares - e aprofundar a discussão científica, mais do que faria numa turma de crianças.
E, embora a necessidade de respeito à vivência prévia valha para todos os alunos, seja lá qual for a idade deles, no caso de jovens e adultos essa é mais uma premissa fundamental. Cantigas e parlendas - usadas na alfabetização dos pequenos - podem ser substituídas por poesias, mais apropriadas para os leitores mais velhos.
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/modalidades/infantilizar-estudantes-eja-432129.shtml

O direito de aprender de todos e de cada um.


Imagem disponível em:
http://sobreeducacao2010.blogspot.com/2010/11/24-respostas-para-as-principais-duvidas.html

Boa tarde pessoal...
Estamos terminando o curso Educação para Diversidade e Cidadania que nos trouxe temas excelentes... e resolvemos compartilhar uns de nossos questionários sobre o "O direito de aprender de todos e de cada um"

1 - O direito de aprender de todos e de cada um - encontramos um breve relato sobre a educação no mundo e no Brasil. Capellini, expõe , também, os avanços e os ranços que permanece na educação atual brasileira. Dessa forma, a autora, afirma que houve progresso educacional, mas desigual e muito lento. Faça uma breve exposição, sobre o que levou a Capellini fazer tais afirmações.
O reconhecimento e valorização da diversidade é a principal característica de uma sociedade democrática, educação para todos e para cada um, significa que não pode haver diferenciação por etnia, sexo, classe social, ou qualquer outra diferenciação que possa ter. Todos devem ser respeitados dentro de nossas singularidades, pois não somos melhores ou piores que ninguém, somos apenas diferentes.
Dentro de uma sala de aula, é o lugar que sem dúvidas encontra-se uma grande diversidade. Como trabalhar com esta diversidade? O que não pode haver é praticas pedagógicas rígidas, fechadas, idênticas para todos. O professor tem que ser preparado para trabalhar com a heterogeneidade, com uma educação de qualidade que favoreça o desenvolvimento pessoal e social do aluno.
 2 - No Brasil, mesmo depois da abolição, ainda são os negros quem fazem serviços mais pesados e recebem os salários mais baixos. Pessoas que perpetuam essas práticas passaram por qual modelo de educação?
 O modelo de educação tradicional, totalmente elitista, dominante e exploratória, havendo uma diferenciação ao ensino direcionado a classe e a classe trabalhadora. Por traz das propostas democráticas que se apresentam, ainda encontra-se o fracasso escolar, a exclusão e ao autoritarismo. As políticas educacionais , dos últimos anos seguem um modelo noliberal, reforçando a tendência de manter um pobre sistema de ensino destinado a classe social menos favorecida economicamente, e para a classe social dominante um sistema de ensino de qualidade.
3 - A  universalização da educação escolar no Brasil se articula com a Educação como um direito humano fundamental?
Não, a educação como um direito humano fundamental ainda não foi concretizado para todos. Ocorreram várias reformas no campo educacional, porém visando as questões quantitativas números de vagas, diminuição das desigualdades regionais. As escolas ainda não conseguem trabalhar com as diversidades que os alunos apresentam. Há mais vagas, porém menos recursos para trabalhar adequadamente com esse aumento de vagas. A escolaridade dos brasileiros aumentou nos últimos anos, porém as aprendizagens não acompanharam esse aumento real, continua defasada. Os dados que se apresentam é somente para a contenção da evasão escolar e não do aprendizado.
4 - Nem ao menos sabemos se teremos planeta habitável para os nossos netos ou bisnetos. Porém, homens que hoje proclamam desenvolvimento sustentável agridem diariamente nosso planeta. Segundo o que lemos e estudamos  que educação tais homens tiveram?
 Esses homens tiveram uma educação vinda de raízes autoritárias, um modelo elitista, como Capellini descreve viviam em contextos educacionais como: prédios de escolas que mais parecem cadeias, corredores longos e estreitos, que dificultam interação, gestões educacionais centralizadoras, arranjos de sala de aula quase sempre com cadeiras perfiladas que não favorece em nenhum momento interação entre alunos.
5 - A educação é neutra? Podemos dizer que a escola pública oferece educação democrática, objetivando plena cidadania?
 As vista da política pública sim e atualmente vemos que alunos de classe mais humilde hoje têm um acesso maior a educação básica, fundamental e médio que é garantido pela LDB e as Diretrizes Educacionais. Mas, o ensino universitário, ainda é um grande impasse não pela falta de universidades públicas e sim uma preparação maior dos professores para ensinar esses alunos e um estímulo maior por parte da política pública educacional. Já em contra partida vemos os filhos da classe média alta freqüentando essas universidades, por
terem um preparo maior e condições favoráveis de aprender melhor.
Não porque os professores precisam ter mais consciência do seu papel perante uma clientela que almeja uma educação de qualidade. Infelizmente, temos professores que dizem educar por educar, sendo que está nas mãos desses educadores mudarem ou tentar mudar e até mesmo fazer o melhor para para os nossos alunos, com o intuito de transformar a educação pública num ensino melhor ou seja, se dedicarem mais e fortalecer o conceito de sociedade democrática que vivemos; uma vez que certas mudanças são impostas de maneira autoritária e não democráticamente. Agora se fizermos o nosso ensino público pautado em um currículo de crescimento intelectual e de valorização do que os nossos alunos carregam consigo durante todo o processo de ensino e aprendizagem estaremos então propiciando um ensino de qualidade e que garantirá dentro do currículo escolar a formação e o exercício da cidadania de cada aluno, deixando de lado uma sociedade injusta e inconsciente dos seus deveres de cidadão.




Criança Não Trabalha

 Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=q1rwjb7-DBw

 Criança não trabalha

Composição: Arnaldo Antunes / Paulo Tatit


Lápis, caderno, chiclete, peão
Sol, bicicleta, skate, calção
Esconderijo, avião, correria,
Tambor, gritaria, jardim, confusão
Bola, pelúcia, merenda, crayon
Banho de rio, banho de mar,
Pula sela, bombom
Tanque de areia, gnomo, sereia,
Pirata, baleia, manteiga no pão
Giz, merthiolate, band aid, sabão
Tênis, cadarço, almofada, colchão
Quebra-cabeça, boneca, peteca,
Botão. pega-pega, papel papelão
Criança não trabalha
Criança dá trabalho
Criança não trabalha
1, 2 feijão com arroz
3, 4 feijão no prato
5, 6 tudo outra vez

Educação na Diversidade


Infelizmente na sociedade em que vivemos o preconceito continua muito latente. A questão do preconceito vai além da questão étnica, é a que se torna mais evidente pra sociedade, pois os outros tipos de preconceitos estão enraizados dentro de muitos cidadãos. O pior de tudo é que não se dizem preconceituosos, por ver-se livre da discriminação racial.
O que ainda continua como uma trave nos olhos de muitas pessoas são os outros tipos de preconceitos que existem: por classe social, credo, opção sexual, grupo que pertence etc. São tantos os tipos que existem e a cada dia que passa aparecem outros tantos.
Nenhuma criança nasce preconceituosa ela se torna preconceituosa com o que sua família passa como verdades pra ela, são os juízos de valores que costumam ouvir em seus lares. E quem devemos culpar? Esses pais também receberam juízos de valores de sua família.
No decorrer da história foram muitas tentativas de definições para explicar porque um individuo é melhor que o outro.
Começando pela metafísica, em que Platão via a realidade onde residiam as essências de todos os seres no mundo material, em que alguns seres humanos se aproximam mais do modelo perfeito e outros não.  E assim por diante passando por diferentes épocas e definições, sempre tendo um modelo de cultura que se acreditava superior as demais.
A quebra desses conceitos começa a serem revistos no século XX, quando muitos modelos de condutas começam a serem mudados: nas artes, na política, na opção sexual, relação de gênero etc.
A educação também começa a mudar. A educação tradicional, a qual encaixava os alunos em padrões absolutos e abstratos de inteligência, competência e sucesso, começa, também a rever seus paradigmas, abrindo caminho para uma convivência humana menos preconceituosa, com aceitação as diversidades humanas e possibilidade de inclusão a todos.
Os grupos vitimas de preconceitos, atualmente já conhecem mais seus direitos, rejeitando a imposição do poder, e as verdades ditas únicas, todavia com muita à  aperfeiçoar e mudar.
O grande desafio do século é o campo da ética: construir, coletivamente, projetos educacionais com novos padrões, não mais metafísicos, mais sim democráticos e igualitários, sem que estes compactuem com as desigualdades e opressões convivendo na diversidade com a igualdade.